''De quem é esse dinheiro? É do Lula?'', perguntou o garoto Júlio, de 13 anos, enquanto observava na tarde de ontem os seguranças descarregarem uma imensa carreta recheada com dezenas de caixas cheias de moedas na agência do Banco do Brasil, no centro de Londrina. Todo o carregamento foi acompanhado de perto por um forte esquema de segurança montado pela Polícia Militar (PM).
A carga milionária ressuscitou nas pessoas, por alguns instantes, os sonhos abortados pela recessão econômica. Os que passavam pareciam não acreditar no que estavam vendo e não demorou muito para que uma pequena multidão se formasse para acompanhar o inusitado desembarque. A avenida São Paulo teve de ser interditada por mais de uma hora, até que toda a carga fosse descarregada. O resultado foi o caos no trânsito, com congestionamentos na rua Sergipe e redondezas.
Alheio a todos esses transtornos, Júlio, engraxate, olhava tudo com ar de encantamento. Afinal, nos seus mais loucos devaneios juvenis jamais imaginou chegar tão próximo de uma carga tão valiosa. Lustrando sapatos, ''profissão'' que exerce desde os nove anos, ele tinha conseguido arrecadar, ontem, menos de R$ 20,00.
O maior sonho do menino era bem simples e refletia sua necessidade imediata. ''Eu ia dar tudo para minha mãe comprar comida'', revelou o garoto, que mora com a mãe e outros cinco irmãos mais novos, no Novo Amparo, um bairro de população carente da zona leste da cidade. ''Com isso aí dá para comprar um supermercado inteiro.''
Já a psicóloga Nina Cardoso, de 53 anos, estava curiosa para saber se o dinheiro serviria ''para pagar a dívida externa'', mas se pudesse colocar as mãos, em pelo menos parte do dinheiro, gostaria de usá-lo também para uma causa nobre. ''Levantava meu projeto de oferecer cursos e oficinas para crianças, jovens e adultos'', afirmou. Segundo ela, está difícil arrecadar fundos para viabilizar o projeto.
A assessoria de imprensa do Banco do Brasil não revelou a quantia transportada mas informou que o carregamento de moedas, que veio de Curitiba, servirá para suprir a demanda da região e normalizar o abastecimento. Uma parte da carga seguiu para Maringá, acompanhada de forte esquema de segurança.

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