Tomou posse ontem, no Tribunal de Justiça do Paraná, a primeira mulher a chegar ao mais alto cargo da magistratura paranaense. Depois de 27 anos de atividades na área do Direito, a ex-juíza de Direito do Tribunal da Alçada, Regina Helena Afonso de Oliveira Portes, tornou-se a única desembargadora entre 35 desembargadores do TJ, nos últimos 108 anos.
Sua indicação ao tribunal aconteceu ainda em fevereiro pelo critério de antiguidade. A desembargadora entra no lugar de Ronald Accioly, aposentado. Em seu discurso, na sessão especial do Tribunal Pleno, Regina Portes aproveitou para criticar as agressões feitas pelo Senado ao poder judiciário. ‘‘É desnecessária e descabida a instituição de uma CPI, uma vez que existem dispositivos na Lei Orgânica destinados justamente a punir o mau magistrado’’, disse ela, referindo-se ao artigo 27 do Conselho de Magistratura.‘‘Acho que deverá haver uma reação muito profunda à essas acusações, principalmente porque a CPI é na verdade uma intromissão de um poder em outro’’.
Para a desembargadora, a posse no Tribunal de Justiça abre precedentes para que outras mulheres também passem a almejar o cargo. ‘‘Tenho certeza de que teremos muitas outras aqui’’, garante.‘‘Já temos um grande número de juízas que vem se destacando pelo seu trabalho’’. É como um desafio que vê o novo cargo assumido. ‘‘Estamos entrando num novo milênio quando se está exigindo do julgador uma nova postura diante da sociedade. Por isso o que eu pretendo aqui no tribunal é trabalhar para fazer uma justiça ágil e sobretudo moderna’’, concluiu.Mauro FrassonRegina Helena Afonso de Oliveira Portes é a primeira mulher a chegar ao mais alto cargo da magistratura paranaenseVivian de Albuquerque

mockup