Desejos e carências estão sempre presentes
Mãe é tudo igual. Só muda o endereço. O antigo ditado tem seu fundo de verdade e se aplica também aos filhos. Não importa se a mãe trabalha fora ou é dona de casa; se faz o tipo conservadora ou se é mais liberal. Para eles, mãe é mãe as angústias, desejos e carências são as mesmas.
Que o diga a cantora Rogéria Holtz, de 42 anos. Casada com o dono de uma produtora de cinema, áudio e vídeo, compartilha com o marido uma agenda atribulada e sem rotina, pois dependem de clientes e horários de estúdios.
Até hoje, Rogéria se incomoda com os telefonemas das filhas que volta e meia ficam à espera dos pais irem buscar na escola. Maria Teresa, 14 anos, e Helena, 13, vivem essa falta de rotina desde pequenas, mas não se acostumam. Elas reclamam, telefonam o tempo todo enquanto esperam, diz a mãe.
Em casa, os horários amalucados da mãe são compensados pela presença da empregada nos cuidados domésticos . Sempre tivemos funcionária que dorme em casa. Foi o jeito que eu e meu marido encontramos para trabalhar sem discutir e sem jogar a culpa um no outro.
Mas há grandes compensações em ser filho de artista. Eles ficam superorgulhosos quando o livro didático tem textos ou poemas de amigos meus, como Alice Ruiz, conta Rogéria. Outra vantagem é ter amigos famosos por conta dos pais. Conhecemos o Zeca Baleiro, jantamos com a Tetê Spindola, coisas assim, eles amam falar para os amigos. Sem contar o que a garotada fica pedindo de ingresso para shows. Eles pensam que, por ser artista, eu consigo tudo, suspira a cantora. (B.M.)





