Desejo pela vida expresso em cores e formatos
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sexta-feira, 08 de junho de 2012
Fernanda Carreira<BR>Reportagem Local 
''Meu sonho é ser médica para poder ajudar as outras pessoas, assim como tenho sido ajudada.'' A afirmação da pequena Micaella Carvalho, 9 anos, ao abrir um sorriso largo e contar o que espera para seu futuro, revela a força de uma menina que aprendeu, desde muito cedo, a superar as dificuldades da vida com alegria e a usar a arte para expressar seus sentimentos.
A menina que sofre desde bebê com a talassemia, doença genética caracterizada pela malformação da hemoglobina, comemora os títulos de campeã e vice-campeã do 8º Concurso Guerreiros de Ferro, que seleciona os melhores desenhos produzidos pelas crianças que sofrem com a doença no País. O concurso promovido pela Associação Brasileira de Talassemia (Abrasta), em parceria com a Chiesi Brasil, tem o objetivo de incentivar as crianças a aderirem ao tratamento, que é o principal fator de aumento da expectativa de vida entre os pacientes.
Micaella foi vencedora na categoria 9 a 11 anos, com desenhos da temática 'Corações e Borboletas'.''Um é bem diferente do outro, mas ambos surgem do mesmo desejo: o de representar o ciclo e a beleza da vida, que está sempre se transformando'', explica a menina ao apontar as imagens.
Ela foi premiada com uma bicicleta e um jogo e terá sua obra de arte exposta em um calendário mundial, produzido por uma empresa farmacêutica, que irá circular nos principais centros e clínicas de tratamento de Hemoglobinopatias de todo o mundo.
Com os temas Guerreiros de Ferro e Corações e Borboletas, neste ano foram enviados 16 desenhos de todo o Brasil, divididos nas categorias 4 a 8, 9 a 11, 12 a 15 e acima de 16 anos. Dentre os prêmios entregues aos três primeiros lugares do concurso estavam bicicletas, instrumentos musicais, máquinas fotográficas e aparelhos de DVD.
A família da londrinense Micaella descobriu que a menina era portadora da talassemia major com o teste do pezinho. ''Eu sabia que era portadora da forma traço da doença, mas jamais imaginaria que meu marido também fosse'', explica Rosilaine Morais Carvalho, mãe da garota.
A primeira transfusão precisou ser feita por volta dos cinco meses de idade, quando Micaella começou a apresentar taquicardia e palidez. Como o tratamento foi feito desde o início, a garota não apresentou nenhum problema de desenvolvimento, mas mesmo com uso de medicamentos específicos, apresenta acúmulo de ferro no pâncreas e fígado.
Neste ano, após uma série de exames, a família de Micaella descobriu que o seu irmão, Matheus Carvalho, 15 anos, apresenta traços geneticamente compatíveis com a irmã e poderá ser o doador de medula óssea, que ela tanto precisa. A família espera, agora, que algum médico se disponha à realização do transplante. Atualmente, de acordo com dados da Abrasta, cerca de 732 pessoas têm a doença no Brasil e precisam do tratamento.


