Desculpas esfarrapadas viram alertas em campanha
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segunda-feira, 03 de dezembro de 2018
Simoni Saris <br>Reportagem Local 

As desculpas que motoristas utilizam com frequência para ocupar, indevidamente, as vagas reservadas às pessoas com deficiência se transformaram, nesta segunda-feira (3), em alertas sobre a importância de se respeitar os direitos previstos em lei aos cidadãos com comprometimento de mobilidade e assegurar a eles melhor qualidade de vida.
Pela manhã, motoristas à procura de um local para estacionar na avenida São Paulo (centro de Londrina) encontraram vagas ocupadas por cadeiras de rodas nas quais se liam avisos como "Eu preciso descarregar", "Só 1 minutinho" ou "É bem rapidinho". "Essas são as desculpas que ouvimos, mas os movimentos das pernas de uma pessoa com deficiência não voltam em um minutinho", disse a presidente da Afel (Associação Famílias Especiais de Londrina), Ana Flávia Alves.
O 3 de dezembro foi instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas) como o Dia Mundial da Pessoa com Deficiência e, no município, a data marcou também o início das atividades da Semana de Conscientização da Pessoa com Deficiência, que segue até sexta-feira (7). A iniciativa é da Afel em parceria com a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). Além das cadeiras de rodas posicionadas nas vagas comuns de estacionamento, a ação inclui panfletagem, faixas para chamar a atenção e a abordagem de motoristas e pedestres.
OUTROS LOCAIS
A cada dia, as atividades serão realizadas em um ponto diferente. Nesta terça-feira (4), a mobilização acontece na avenida Saul Elkind (zona norte); na quarta-feira, no Centro Cívico (zona sul); na quinta-feira, na Gleba Palhano (também na zona sul) e, na sexta-feira, ainda não está definido o local. "Queremos fazer com que a população olhe para as pessoas com deficiência de uma forma inclusiva. Os direitos garantidos a elas não são um privilégio. Ninguém quer estar nessa condição", destacou Alves. A Afel conta atualmente com aproximadamente 130 associados.
Segundo a ONU, mais de um bilhão de pessoas no mundo têm algum tipo de deficiência. No Brasil, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que a população nessas condições chega a 45 milhões.
"A gente está trabalhando timidamente com um problema muito recorrente que afeta as pessoas com deficiência. Essa ação reflete como as pessoas sentem", comentou a vice-presidente da Afel, Michelle Berbert Santos. "Se fosse um mundo mais empático, as pessoas não usariam essas desculpas esfarrapadas para ocupar as vagas especiais. A coisa mais difícil é mudar a cultura e fazer as pessoas entenderem que todo mundo tem o direito à acessibilidade. Antes da deficiência, existe uma pessoa e os direitos e deveres precisam ser respeitados."
"É uma necessidade conscientizar a população porque precisa de melhorias para todos. Hoje, a maioria do pessoal não tem paciência", disse o vigilante Paulo César Antônio da Silva, que procurava vaga para estacionar na avenida São Paulo e aprovou a mobilização promovida pela Afel. "É bem interessante essa campanha deles porque ajuda a conscientizar as pessoas e acho muito justo que os deficientes tenham essas vagas garantidas", afirmou o mototaxista Silco de Lima.
"Esse tipo de campanha funciona porque os motoristas sentem na pele a necessidade. Você não vai saber o que é (ter o direito suprimido) se não vivenciar isso", avaliou o agente de trânsito e membro da equipe de Educação no Trânsito da CMTU, Rodolfo Gaion.
INFRAÇÃO GRAVE
A legislação limita em 2% a reserva do total de vagas de estacionamento às pessoas com deficiência e 3% aos idosos e Gaion ressaltou que para poder utilizar as vagas especiais, é obrigatória a credencial expedida pela companhia. Adesivos colados nos vidros dos veículos com o símbolo azul indicativo de pessoa com deficiência não são considerados. Desde 2016, o desrespeito a essas vagas deixou de ser leve e passou a ser considerado infração grave, com perda de cinco pontos na carteira de habilitação e multa de R$ 127,69. "O número de vagas é definido por necessidade, mas deveria ser maior. Mas as pessoas também podem pedir a reserva de vagas em locais de grande movimentação", orientou o agente.
Para informações ou denúncias, a CMTU mantém perfis no Facebook e no Instagram. O endereço é o CMTU - Educação no Trânsito.



