Descuidos aumentam riscos da infância
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sexta-feira, 12 de abril de 2002
Emerson DiasReportagem Local 
A morte de um garoto de apenas um ano e dois meses de vida, vítima de afogamento depois de cair dentro de um balde no quintal da casa, reacendeu as discussões sobre os cuidados com os chamados acidentes domésticos envolvendo crianças. Na maioria dos casos, o descuido dos pais é o principal responsável pelos acidentes.
G.C.A. teve a morte confirmada oficialmente ontem, mas o acidente aconteceu no último domingo. O menino se afogou quando brincava enquanto a mãe fazia a faxina. O pai, que também estava em casa, viu o filho com a cabeça dentro dágua e correu para retirá-lo. O socorro foi chamado e G. levado ao Hospital Evangélico, onde permaneceu internado em estado grave. Nos últimos dias, três médicos avaliaram as condições do menino e diagnosticaram morte cerebral.
Além de mostrar a fragilidade das crianças diante de situações que podem parecer corriqueiras, o fato remete a outros casos silenciosos que acontecem no dia a dia, não somente nas residências, mas nas escolas e também no trânsito. Não temos estatísticas oficiais e isso prejudica o desenvolvimento de estudos e campanhas de prevenção. Só para se ter uma idéia, o Siate atende entre 5 mil e 6 mil ocorrências a cada ano. Em cerca de 12%, as vítimas são crianças abaixo dos 14 anos, disse o cirurgião infantil e atendente do Siate em Londrina, Mauro Roberto Basso, 34 anos. Além de pesquisar sobre o assunto (recentemente defendeu tese sobre traumas em crianças), Basso tenta implantar na cidade o projeto Safe Kids, criado nos Estados Unidos com o objetivo de reduzir acidentes com jovens e que atualmente também está sediado em três cidades brasileiras: São Paulo, Recife e Curitiba.
Ainda segundo o cirurgião, em quase 90% dos acidentes ocorridos no trânsito, a causa é falha humana. Esse dado pode servir de referência nos acidentes domésticos, já que a grande maioria dos casos acontece por descuido dos pais.
Levantamentos do Ministério da Saúde apontam que as crianças vítimas de piscinas, banheiras e baldes estão entre as mais atendidas nos hospitais. Das cerca de 7,5 mil mortes provocadas por traumas em pacientes entre zero e 14 anos registradas em todo o Brasil, 21% são decorrentes de afogamentos. Em seguida vêm os acidentes ocorridos no trânsito, sendo 18% com jovens pedestres e 16% dentro de veículos (veja quadro).
Em Londrina, entre os acidentes envolvendo crianças, o índice de mortalidade gira em 3%. Em 1998, dos 337 casos que acompanhei, 11 resultaram em mortes. Isso sem contar com os casos graves de internamentos, lembrou Basso, que defende a prevenção como a maior arma para diminuir os acidentes domésticos. Em 13 anos de atividade, o Safe Kids conseguiu desenvolver campanhas que reduziram em 35% o número crianças vítimas. Esperamos que isso aconteça aqui, comentou o cirurgião, lembrando que o projeto foi implantado no Brasil no ano passado (informações pelo site: www.criancasegura.org.br).


