Desconto de dia parado deixa policiais revoltados
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terça-feira, 14 de novembro de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina 
A greve de policiais civis de Londrina e região é iminente, segundo afirmou o presidente do sindicato da categoria, Ademilson Antonio Alves Batista, ontem à tarde. A deflagração do movimento poderá ocorrer na próxima sexta-feira, quando os filiados participam de uma assembléia, às 18 horas, na sede do Sindipol (Sindicato dos Policiais Civis), em Londrina.
Para o perito criminal e diretor de comunicação do sindicato, Luciano Bucharles, a paralisação por tempo indeterminado é praticamente certa. Nossa pauta de reivindicações foi enviada à Secretaria de Segurança Pública no dia 26 de outubro e até agora não obtivemos qualquer parecer. O interior continua em segundo plano para o governo numa demonstração de total desrespeito com a população, justificou.
O estopim da revolta foi a notícia de que as 12 horas de paralisação da última quarta-feira, dia 8, serão descontadas do salário dos quase 350 policiais da região. Bucharles disse que essa é mais uma prova do privilégio dos funcionários da capital. Segundo ele, a punição dada a categoria em Londrina e região não foi aplicada aos policiais que paralisaram suas atividades durante dois dias, no final de outubro. O comunicado chegou ontem de manhã e foi um dos principais motivos para o adiantamento da assembléia que só aconteceria no dia 28.
A distribuição da verba para o Plano Nacional de Segurança é outro motivo de descontentamento. Conforme deduções da diretoria do Sindipol, o interior do Estado não vai receber um centavo dos R$ 12 milhões enviados pelo governo federal. Dois terços do dinheiro deverão ser destinados à Polícia Militar e os outros R$ 4 milhões com a Polícia Civil de Curitiba. A greve é a única alternativa que temos para abrir negociações. Já tentamos manter o diálogo e até agora não conseguimos nada, disse Batista.
Na pauta de reivindicações a categoria pede o pagamento da gratificação por Tempo Integral e Dedicação Exclusiva (TIDE) a todos os policiais, melhores condições de trabalho (materiais de escritório, armamentos, coletes à prova de balas, computadores, etc), renovação da frota, suspensão da guarda dos presos nas cadeias públicas, implementação do plano de cargos e salários e cumprimento da lei complementar número 51/85.


