Londrina - Poucas reclamações dos moradores do Distrito da Warta (zona norte) foram levadas até o coordenador Jair Cupini na primeira semana de trabalho. A falta de reivindicações tem uma explicação: parte da população não sabe da existência do cargo e o restante está cansado de reclamar.
O pintor Cleberson Inocêncio Alves, que nasceu e mora na Warta, confessa que não sabia da novidade. "Pra que ele vai servir?", questiona. Ele considera a nomeação importante para os moradores, mas afirma que o cargo não ameniza o sentimento de abandono da população. "Precisamos de uma escola maior e de mais atenção. Muitos jovens da Warta estão consumindo drogas e o combate é fraco", revela.
O distrito foi fundado em 1953 e fica a 23 km de distância do centro de Londrina. Por lá vivem, aproximadamente, 1,5 mil habitantes. No distrito não há creche. Uma escola estadual atende a comunidade em parceria com o município, mas, conforme os moradores, o número de vagas é insuficiente.
De acordo com o Núcleo Regional de Educação, o Estado oferece ensinos Fundamental e Médio durante a tarde e a noite. No período da manhã, a equipe da prefeitura atende crianças do 1º ao 5º ano do Fundamental. O NRE vai ceder duas salas durante a tarde para que o município possa ampliar os atendimentos e uma escola municipal deve ser construída no ano que vem.
Entre as melhorias necessárias, uma moradora que não quis se identificar considera que a unidade básica de saúde precisaria de mais médicos. "O prédio até que é bom, mas aqui eles só encaminham para Londrina. Muita gente nem vai mais no posto. É mais fácil ir direto na cidade", reclama.
O engenheiro agrônomo Hélio da Silva mora em Ibiporã, mas trabalha no distrito. "Aqui o principal desafio vai ser melhorar as estradas rurais. Os alunos e os trabalhadores sofrem muito com isso", destaca.
Cupini atende a população na antiga sede da subprefeitura. A estrutura precária conta com uma mesa e cadeiras. Não há computadores, veículos ou funcionários de apoio. O local ganhou um telefone para facilitar o contato com a população. "O telefone quase nem toca. Algumas pessoas me ligam no celular mesmo por eu ser conhecido por aqui", explica.
O comerciante mora e trabalha na Warta. Ele reconhece que os desafios são muitos e que a demanda é extensa. "Eu achava que as coisas seriam mais fáceis. Eu vi que o poder público se esforça, mas a prefeitura está sem dinheiro", ressalta.
O administrador ou coordenador é responsável por fiscalizar as ações executadas no distrito e por mapear as necessidades da população. Ele não administra recursos. Os pedidos para investimentos devem ser encaminhados à prefeitura.
Na primeira semana de trabalho, Cupini conta que se reuniu com representantes da escola e do posto de saúde. Ele pretende agilizar a manutenção da estrada rural que liga o Conjunto Vivi Xavier e Warta. "A parte da estrada que é administrada por Londrina está em boa conservação, mas a parte de Cambé precisa de várias adequações", reforça, informando que agendou uma reunião representantes da Prefeitura de Cambé. Ele também pretende agendar visitas dos secretários municipais ao distrito.
Mesmo sem horário fixado pela prefeitura, Cupini conta que estabeleceu um expediente das 8 às 11 horas e das 14 às 17 horas. Os moradores podem procurá-lo na antiga sede da subprefeitura ou pelo fone 3398-4100.

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