Sempre com uma resposta convincente na ponta da língua, o líder dos sem-terra no acampamento da Fazenda Sumatra, ‘‘Negão’’, se mostra desconfiado de tudo e de todos. Ele diz que tem 27 anos, é coordenador de grupo do MST, assentado na área batizada de Antonio Conselheiro. Era arrendatário e a família tinha um sítio na região de Navirái (MS).
Convidado a fazer uma foto na área cultivada da fazenda, Negão pediu para os ‘‘companheiro’’ anotarem a placa do carro da Folha. ‘‘Para caso vocês não me trazerem de volta’’, justificou.
Ele reclamou que além da falta de água os acampados estão ‘‘quase’’ passando fome. Desde a invasão da fazenda, no dia 30 de dezembro passado, o Incra não entregou as cestas básicas dos sem-terra, segundo Negão.
A água para beber vem de um poço artesiano, com vazão insuficiente para atender todas as necessidades das mais de 400 pessoas acampadas. ‘‘A gente tem que tomar banho e lavar roupas no riacho’’, diz. Para tentar contornar o problema, os sem-terra trabalham de bóia-fria em propriedades da região. ‘‘Mas não tem serviço para todo mundo’’, lamenta. (M.Z.)

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