Descobertos mais 2 casos de supervacinação
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segunda-feira, 09 de junho de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A Secretaria de Saúde de Londrina informou ontem que foram confirmados, no final da última semana, mais dois casos de crianças menores de cinco anos que receberam uma superdose da vacina contra febre amarela na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim do Sol (zona oeste). As crianças passam bem e continuam sendo monitoradas. Até agora foram registrados quatro casos. Duas crianças apresentaram um pequeno quadro febril mas que não estaria relacionado com a superdosagem.
O pequeno G.H.A., de apenas um ano de idade, foi um dos primeiros a receber a superdosagem (com concentração nove vezes maior do que a indicada), passou mal e chegou a perder mais de dois quilos de peso. A mãe do bebê, R.S.N.A., 25 anos, contou que o filho tomou a vacina contra febre amarela no dia 27 de maio e três dias depois teve febre, vômito e diarréia. Levado até o Pronto Atendimento Infantil (PAI), a criança foi medicada mas não apresentou melhora no final de semana. No dia 2 de junho, ele teve que ser internado e medicado com soro. ''Eu achei estranho porque ele tomou todas as vacinas até agora e nunca tinha nem vomitado'', observou a mãe.
Apenas na última quinta-feira, dia 5 de junho, dez dias após ter sido vacinado, R. foi informada de que o filho havia recebido uma superdose da vacina mas até ontem ainda tinha dúvidas. ''Se foi ele quem realmente tomou (a superdose) pode ter sequelas. Eu acredito que sim, porque achei que eles estão com excesso de zelo com meu filho'', comentou. A família ainda não decidiu se irá ou não acionar judicialmente a Secretaria Municipal de Saúde.
A mãe afirmou que foi orientada a ficar atenta com as condições gerais do filho e, ao primeiro sinal de febre, buscar avaliação médica. ''Até agora, não fizeram nenhum exame. Dentro de 30 dias deverá ser feita a sorologia'', destacou.
A gerência de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde informou que foi descartado o risco das crianças supervacinadas desenvolverem encefalomielite (inflamação cerebral). O erro, segundo a gerente de epidemiologia, Sônia Fernandes, foi provocado pela aplicação de uma quantidade incorreta do diluente usado para aplicar a vacina. Enquanto era necessária uma quantidade de 50 ml, foram usados apenas 5 ml. Todas as unidades de saúde receberam novas orientações sobre cuidados na aplicação de vacinas.
Sônia Fernandes garantiu que não há mais possibilidades de outras crianças terem recebido doses indevidas da vacina. O aprofundamento da apuração sobre o caso apontou que as quatro crianças foram vacinadas numa ''sequência de dias''. Sobre as responsabilidades pelo erro, ela preferiu não fazer comentários antes do final das investigações e antecipou apenas que, dentro de 20 dias, deverá ter um quadro mais detalhado sobre o que ocorreu na UBS do Jardim do Sol.


