Descoberta mineral pode enriquecer Tamarana
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Para quem não entende nada de minérios, as pedras na beira de precárias estradas vicinais que cortam propriedades da Zona Rural de Tamarana parecem comuns. Porém, para quem é do ramo da mineração, elas revelam que uma grande riqueza pode estar escondida no subsolo do lugar. Utilizadas até como moledo para as estradas, as rochas muitas vezes escondem minérios de ferro e agregados, como cobre e silício, metais amplamente utilizados pela indústria metalúrgica.
Mais do que uma descoberta geológica, se for confirmado que trata-se de uma grande jazida, a história do município que conquistou sua emancipação de Londrina há 12 anos pode sofrer uma reviravolta, principalmente econômica.
Por meio de pesquisas no cadastro mineiro do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão que controla a exploração de minérios no País, a reportagem da FOLHA descobriu que uma mulher de Apucarana acaba de obter autorizações para pesquisa de minério de ferro em sete áreas da Zona Rural de Tamarana.
Cada uma das autorizações é válida para aproximadamente dois mil hectares; ao todo, são 14 mil hectares. Praticamente um terço da área total do município. As terras são particulares. No entanto, de acordo com a legislação brasileira, o proprietário não é dono do que está abaixo do solo.
Em entrevista exclusiva à FOLHA, a apucaranaense, que pede para não ter o seu nome revelado, relatou que uma grande empresa mineradora oferece uma boa quantia em dinheiro pelos seus direitos de pesquisa, que futuramente podem se tornar direitos de lavra. Contudo, ela não revela o nome dos supostos interessados. ''Os empresários foram até o local, retiraram amostras e mandaram para análises até no exterior.''
Filha de um fundidor, ela conta que há 22 anos seu pai já havia explorado minério de ferro na região, associado a estrangeiros. O negócio não deu certo. Duas décadas depois, a mulher resolveu voltar à Zona Rural de Tamarana e, animada com as pedras que encontrou, foi atrás dos direitos minerais. Morou durante três meses em Curitiba, procurou diversos geólogos, gastou em torno de R$ 2 mil com cada requerimento e conseguiu as autorizações. ''Foi uma luta, meu pai e eu fomos chamados de loucos, mas agora conseguimos e vamos provar para todo mundo que estávamos certos. O potencial daquela área é muito grande'', ressaltou.
Contudo, para Eduardo Salamuni, diretor-presidente da Minerais do Paraná (Mineropar), empresa de economia mista vinculada ao Governo do Estado, que foi pessoalmente a Tamarana para conhecer a área, é preciso ter cautela. ''O que posso dizer, do ponto de vista técnico, é que há um indício de que existe minério de ferro por lá. Porém, é preciso fazer uma pesquisa para descobrir qual é o volume. Temos muitas dúvidas sobre a existência de uma quantidade que indique exploração comercial. Trata-se de uma descoberta importante, agora é preciso investigação. Será importante para o Estado se concluírmos que existe ali uma jazida e será melhor ainda se essa jazida se tornar uma mina'', explicou Salamuni.
De acordo com o Anuário Mineral Brasileiro de 2006, produzido pelo DNPM, a produção mineral comercializada pelo Paraná é de R$ 386 milhões por ano. Valor muito pequeno se comparado com Minas Gerais, maior produtor do País, que comercializa R$ 13,8 bilhões.


