Até na coleta do lixo residencial pode acontecer fraude e a população acabar lesada. Aconteceu em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) suspeita que a empresa Ecosystem Serviços Urbanos Ltda, responsável até o final de fevereiro pelo recolhimento do lixo no município, enganava a prefeitura na hora de cobrar por tonelada dos resíduos recolhidos. Há suspeitas de que funcionários da própria prefeitura dariam cobertura para a fraude.
O delegado operacional do Cope, Francisco Caricati, indiciou dois sócios, o diretor-comercial e o chefe do pátio da empresa por estelionato e ainda pode indiciá-los por formação de quadrilha e crime contra a administração pública.
"É fraude contra o erário, aquela contra a população, que sempre acaba pagando", afirmou o delegado Caricati. O esquema daria um lucro de 30% a mais para a empresa, que pode ter ganho mais de R$ 400 mil em razão da fraude, de acordo com a polícia. A empresa teria recolhido 4,5 mil toneladas de lixo que era levado para o aterro da Caximba.
Segundo ele, a Ecosystem, além de ser responsável pelos lixos residencias, tinha contratos com empresas na cidade para o recolher o material descartado. O valor cobrado pela Ecosystem da prefeitura era de R$ 89 por tonelada. Então, como não havia nenhuma fiscalização do município sobre a coleta, a empresa recolheria o lixo das residências e de seus outros clientes. Ao invés de pesar separadamente, tudo seria pesado junto, como sendo de residências. Quanto mais lixo doméstico fosse pesado, mais seria cobrado da prefeitura.
O contrato com outros clientes era apenas de prestação de serviço e não havia cobrança por tonelada. Caricati ainda explicou que a mesma empresa contratada de São José dos Pinhais recolhe o lixo do complexo penal de Piraquara (RMC). Ele contou que a Ecosystem também usaria o lixo retirado do complexo penal para pesar como resíduo residencial de São José dos Pinhais. A polícia informou que não foi descoberto fraude na retirada o material do complexo penal.
A prisão dos suspeitos só deve ser pedida à Justiça caso haja necessidade, de acordo com Caricati. O procurador-geral de São José dos Pinhais, Luiz Carlos da Rocha, disse que a nova empresa de coleta cobra um valor bem abaixo da Ecosystem. A responsabilidade do contrato, feito em 2003, com a empresa suspeita, seria da administração anterior.
A polícia disse que renovações contratuais foram realizadas no decorrer dos últimos anos, mas ainda não tem certeza de que a fraude ocorria desde o primeiro ano de vínculo. Rocha informou que vai solicitar cópia do inquérito para saber que providências tomar no caso.
A prefeitura constatou a queda de 30% do peso dos resíduos, já no primeiro mês de coleta da nova empresa. A reportagem da FOLHA procurou o advogado de defesa da Ecosystem, Luiz Henrique Turra, mas sua secretária informou que ele não poderia falar porque estaria em uma reunião na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Outro advogado de defesa da empresa, do mesmo escritório, falaria com a reportagem, mas não retornou até o fechamento desta edição. (Colaborou Marcela Rocha Mendes)

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