Imagem ilustrativa da imagem Descoberta do vírus HIV muitas vezes é 'gatilho' para depressão
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A descoberta do vírus HIV, a vulnerabilidade do sistema imunológico, a adesão ao tratamento, as mudanças sociais, o preconceito. Lidar com essa nova realidade requer uma estrutura emocional prévia em relação à autoestima, segurança e de suporte familiar e social.

“Tudo isso influencia para que a pessoa se sinta amparada. A gente vê muitos casos de pacientes que se desestruturam e desenvolvem, por exemplo, um quadro de depressão”, afirma o médico psiquiatra em Londrina, Diego Augusto Nesi Cavicchioli.

Ele é docente no curso de Medicina da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e cita que em alguns casos atendidos no HU (Hospital Universitário) a não adesão ao tratamento em algumas situações é vista “como uma tentativa de autoextermínio porque a pessoa perdeu a vontade de viver, fenômeno que faz parte do quadro depressivo. Essas pessoas precisam de terapia e possivelmente, um tratamento medicamentoso”, ressalta.

Foi assim com Fábio (nome fictício), 32. Ele mora em Londrina e descobriu a sorologia em um teste rápido em uma UBS há três anos, após ter tido relações sexuais sem proteção. Ele conta que a soma de problemas de trabalho e pessoais o levou a buscar um psiquiatra e um psicólogo há alguns meses.

“Sei que parte do problema é minha sorologia e o fato de não me sentir confortável em me abrir para as pessoas, mas isso foi se somando a outros problemas do dia a dia e acabei não aguentando a pressão. Precisava desabafar”, revela. Ele reforça que o preconceito é muito grande e que até hoje não se abriu com ninguém da família, amigos e colegas de trabalho.

Ronildo Lima, presidente da Alia (Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids), lembra que o HIV/Aids sempre foi e continua sendo cercado de estigmas e tabus. “Até hoje, ter um resultado positivo é sinônimo de morte. Mesmo que os medicamentos estejam aí para dar uma sobrevida aos pacientes há a presença da morte social”, destaca.

O estudante Rogério (nome fictício) , 25, que também mora em Londrina, lembra dos momentos de profunda tristeza quando descobriu a sorologia para HIV, há cerca de um ano. “Parece uma escuridão. A primeira coisa que passa pela cabeça é: o que vou fazer agora?. Passei semanas e semanas chorando, pensando em desistir da vida. Tive medo”, desabafa.

Até assimilar os fatos, Rogério deixou de se relacionar, de ficar com pessoas e até de sair. “Com o passar do tempo, você vai vendo que o tratamento é ótimo. Não é fácil tomar remédio todo dia, manter-se firme na rotina, mas você vai se acostumando e hoje me cuido mais, me previno mais e consequentemente, tenho mais saúde. Para as pessoas que têm medo, eu digo: faça o teste. É melhor você se cuidar do que ficar se acabando. Ainda não falo abertamente sobre isso com as pessoas pelo medo e preconceito, mas sou uma pessoa feliz, tranquila”, declara.

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