Margarida finalmente ganhou voz. A boneca de pano serviu de estímulo para que os participantes de um grupo de comunicação e expressão para idosos tentassem convencer uns aos outros a realizar projetos, quase como um simulado para quando eles forem colocar em prática suas próprias ideias nas comunidades onde vivem.

Simulações como essa fazem parte dos exercícios que a secretária do Idoso de Londrina, Liz Clara Ribeiro de Campos, promove com o grupo desde o início das atividades no Centro de Convivência do Idoso, no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste), há dois anos. Coordenadora do grupo, Liz Clara percebeu uma mudança radical no comportamento dos dez participantes desde o primeiro encontro, quando os egos de cada um ainda falavam mais alto. ''Hoje eles buscam energia no grupo para outros trabalhos.''

''No início, a ideia era promover um curso para desinibir os idosos. Em sete encontros eles aprenderiam a subir num palco, pegar e falar no microfone'', recorda. Conforme Liz Clara, partiu dos participantes a vontade de continuar os encontros. ''Foi quando teve início o estudo e a produção de poesia pelo grupo, que pretende lançar um livro ainda este ano.''

E foram as poesias de Cora Coralina que despertaram o sentimento pela leitura e pelos versos nos idosos. Entre os temas explorados por eles nas poesias estão o cotidiano, a busca pelos direitos e pela cidadania, denúncias e sentimentos diversos. Por um ano eles realizaram encontros quinzenais com a coordenadora, período em que desenvolveram técnicas próprias para a produção das poesias. ''Nunca tínhamos tido contato com poesia e gostamos da ideia. Dos textos saem nossas alegrias e tristezas'', confessa Maria de Lourdes Broietti, 59 anos.

Ela relembra que no mesmo ano o grupo foi objeto de um documentário produzido por alunos de uma universidade particular. A experiência foi tão positiva que o grupo decidiu explorar as leis do Estatuto do Idoso num vídeo que será produzido por eles. ''Vamos elaborar um material explicando o estatuto numa linguagem mais acessível. A ideia é inserir o vídeo nas escolas para que as crianças aprendam a respeitar mais os idosos'', comenta Fukiko Okano, 70.

Para Liz Clara, ''o idoso tem todo o potencial, só precisa ser estimulado''. Segundo ela, mesmo pequeno, o grupo formou multiplicadores que já atuam nos bairros da Zona Oeste. E das conversas também surgiram outras ideias de projetos como produção de texto e fotografia, leitura e contação de história e até produção de um jornal.

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