Cerca de 300 pessoas participaram um ato público no calçadão da rua XV de Novembro em Guarapuava, na sexta-feira, em favor dos descendentes de ex-escravos que estão acampados na fazenda ‘‘Fundão’’ ou ‘‘Paiol da Telha’’, em Pinhão (40 quilômetros ao sul de Guarapuava). Eles reivindicam 3,6 mil alqueires de terras deixadas como herança a seus antepassados em 1886. Parte das terras pertencem hoje à Cooperativa Agrária Mista Entre Rios.
O deputado Florisvaldo Fier (PT), o ‘‘Dr. Rosinha’’, que acompanha o caso dos descendentes desde 1995, disse que o caso das famílias já está sendo analisado pela Fundação Palmares. ‘‘A Fundação tem conhecimento jurídico e social do caso e também um dossiê que conta toda a história dos descendentes.’’
O coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dionísio Vandressen e o padre Antonio Potustki denunciam que estão sendo ameaçados de morte por seguranças da Cooperativa Agrária. Segundo Vandressen, o Fiat Fiorino em que viajava quando retornava de Pinhão para Guarapuava foi fechado por uma caminhonete F-1000 conduzida por um segurança da cooperativa.‘‘Também fiquei sabendo que em uma reunião entre alguns cooperados foi dito que eu seria linchado se continuasse lutando pelos descendentes.’’
Vandressen enviou ofício ao secretário estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, solicitando providências no caso. Ele também denunciou que cerca de 30 seguranças da cooperativa montaram uma guarita perto do acampamento e dão tiros para o alto durante a madrugada.
O advogado da Cooperativa Agrária, Edson Sanches, disse que tem apenas dois seguranças na área. ‘‘É natural a cooperativa querer defender o que é seu. Mas ninguém está atirando. Isso é mentira’’.

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