Descendente fica sem cidadania italiana
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quarta-feira, 21 de outubro de 1998
Israel Reinstein 
O cônsul geral da Itália, Gianni Piccato, afirma ser favorável à retomada da dupla cidadania italiana pelos descendentes dos primeiros trentinos que vieram ao Brasil no fim do século passado e início deste. Atualmente, os descedentes desses imigrantes representariam a maioria dos quatro milhões das pessoas de etnia italiana residentes no Paraná e Santa Catarina. Eles não têm direito à dupla cidadania e seus passaportes estão sendo confiscados.
Os trentinos, responsáveis por grande parte do povoamento nos dois Estados, eram moradores do norte da Itália, região que até o fim da 1ª Guerra Mundial pertencia ao Império Austro-Húngaro. Por isso, pela legislação italiana, são considerados austríacos.
Atualmente, existe um movimento na Itália, encampado por políticos da região de Trento, solicitando modificações na atual legislatura. Existem diversos projetos no congresso italiano em estudo. Caso sejam aprovados, terão o meu apoio, por entender que eles preservam as tradições da Itália, afirma o cônsul.
Piccato explica que os italianos vindos da região norte da Itália não têm direito à dupla cidadania em função de um problema histórico. Antes da unificação daquele país, na primeira década deste século, toda essa região estava sob o domínio do império austríaco. Cidades como Verona e as províncias do Tirol e parte de Vêneto eram da Aústria.
Depois da unificação, quando este território foi devolvido, concedeu-se aos cidadãos, em 1919, o direito a escolher que cidadania queriam, informa. Como, no início do século, muitos italianos de Trento vieram ao Brasil, eles não aproveitaram aquela oportunidade e perderam o direito à cidadania italiana.
Piccato diz que, mesmo com a proibição da legislação italiana, alguns cidadãos brasileiros conseguiram a dupla cidadania. Por problemas de identificação nos consulados e nas prefeituras, que agiram na época por boa fé, foi concedido a essas pessoas um direito que não possuíam, afirma. Como estão irregulares, o consulado vai cancelar o passaporte.
Quem está nesta situação, um pequeno grupo de pessoas, deve entender que não se está suspendendo os vínculos com a Itália, mas apenas um documento de viagem, afirma. Segundo o cônsul, a totalidade das colônias de imigrantes trentinos - em cidades como Nova Trento, Joinville, Criciúma (em Santa Catarina) e no sudoeste e sul paranaenses - sabem que não possuem este direito, mas, nem por isso, deixaram de cultivar as tradições.


