Cerca de 100 moradores de Porto União (município catarinense na divisa com União da Vitória) fizeram ontem um protesto contra o suposto descaso da empresa América Latina Logística (ALL) com o material e construções ferroviárias existentes entre as duas cidades. A ALL opera as ferrovias no Sul do País desde a privatização do sistema, em março de 1997.
O ramal ferroviário que divide as duas cidades teve o transporte de passageiros desativado há cerca de 30 anos e o de cargas, logo após a privatização. No trecho paranaense do ramal –100 quilômetros, entre Irati e União da Vitória–, até os trilhos já foram retirados. Além do restante dos trilhos, na região ficaram locomotivas e vagões, conjuntos de casas de ex-ferroviários e uma estação bimunicipal de 2 mil metros quadrados. O prédio, construído há quase 100 anos, é ocupado parcialmente por órgãos públicos dos dois municípios.
O estopim do protesto foi o incêndio, possivelmente criminoso, de um vagão estacionado na estação, no último domingo. ‘‘Está tudo no mais completo abandono’’, disse o coordenador de Cultura de Porto União, Ari Kruger dos Passos.
Segundo Silvana Alcântara de Oliveira, gerente da ALL, a estação e os materiais não foram incorporados pela empresa e permanecem sob responsabilidade da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA). A partir das 18h30 de ontem, a Folha tentou ouvir o responsável pela RFFSA no Paraná, Paulo Sidnei Ferraz, mas o escritório regional já estava fechado.

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