Londrina - Se a questão do despejo de lixo em pontos irregulares já é um grande problema em Londrina, a situação fica ainda pior nesta época do ano. Isso porque o volume de entulhos, podas e outros materiais como móveis e roupas aumenta consideravelmente com a "faxina" de fim de ano que a maioria das pessoas está habituadas a fazer.
A FOLHA constatou o aumento no descarte ao ir em dois bairros onde existem lixões irregulares. O problema foi confirmado por moradores do entorno desses locais.
Segundo a assessoria de comunicação da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), estatísticas confirmam que nesta época do ano o volume de lixo doméstico e reciclável é bem maior. Em relação aos locais de descarte irregular, apesar de não haver um estudo relacionado, é observado que por extensão há um aumento considerável.
Desde o início do ano até o mês de maio a CMTU havia retirado mais de quatro mil caminhões dos 250 pontos de descarte irregular em todo o município, além dos três ecopontos improvisados nos jardins Santa Rita 5 (zona oeste), Nova Conquista (sul) e Primavera (Norte).
"Sempre no final de ano a quantidade triplica porque as pessoas costumam fazer uma limpeza em casa e jogam fora o que não usam mais. A gente acaba aproveitando uma coisa ou outra", contou Claudimar Azevedo, de 49 anos.
Há um ano ele está desempregado por problemas de saúde e seu sustento vem da ajuda das irmãs e do "lixão clandestino" na linha de trem, em frente a área de invasão conhecida como "Morro do Carrapato" (zona leste).
No início do ano, a reportagem esteve no local conhecendo a história de vida de muitos moradores que sobrevivem dos materiais descartados na linha férrea. Nesta semana, ao voltar ao local, o cenário era outro.
As montanhas de lixo aumentaram de forma significativa e grande parte ainda expelia fumaça, resultado de uma queimada recente. Na outra extremidade da cidade, na zona oeste, os moradores do Jardim Santa Rita 5 comemoraram a limpeza do ecoponto, realizada pela CMTU no início de outubro.
Sobre o volume de resíduos nesse ponto, a CMTU havia calculado cerca de duas toneladas, o que equivale a uma área de 300 metros quadrados. Apesar da medida, na última semana, foi possível "flagrar" muitas pessoas descartando materiais.
"Já melhorou muito. A gente não tem mais aquela preocupação com fumaça, poeira e mau cheiro. Mas infelizmente o povo não se conscientiza. Quase todo dia vejo gente parando e jogando lixo. Tem alguns que a gente até chama a atenção, mas não dá para ficar o tempo cuidando. É lamentável", desabafa a secretária da Associação de Moradores do Santa Rita 5, Vanessa Teixeira Coutinho.
Jovina Martins Lemes, que mora há quatro anos no bairro, diz que a CMTU deveria estar presente todos os dias para fiscalizar. "Ainda mais nesse finalzinho de ano que aumenta muito. As pessoas fazem a limpa em casa e vêm jogar aqui. É um absurdo", reclama.

Plantio de árvores
Em relação ao Santa Rita 5, a assessoria da CMTU informou que as equipes continuam atendendo a região e que até a próxima semana grande parte dos resíduos deve ser retirada. No local já foram retirados mais de 200 caminhões e restam, segundo a Companhia, cerca de 150. Além disso, há um projeto de reflorestamento em andamento no espaço, com o plantio de árvores para delimitar a área.
Na linha de trem do Morro do Carrapato, a CMTU ainda deverá definir uma data para iniciar a limpeza completa. O local é um ponto clandestino e, assim como os demais, a companhia tem realizado um trabalho de contenção. Segundo a assessoria, isso significa um remanejamento no local, onde são retiradas pequenas quantidades de resíduos para evitar uma piora.

PEV
A ideia é que em 2014 sejam criados dez Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) por meio do Projeto Lixo Zero, em substituição aos ecopontos. Cada PEV deverá ser estruturado com a presença de um agente ambiental e áreas para o depósito de diferentes materiais. Ainda de acordo com a assessoria da CMTU, a implantação dos PEVs depende de recursos. A Companhia vem se articulando com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) e Ministério Público (MP) para tentar viabilizar o dinheiro por meios dos Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), que muitas vezes culminam em multas ambientais.

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