O arquiteto Júlio Ribeiro, falecido em 1994, será homenageado emprestando o nome para o futuro Centro Internacional de Eventos, que será construído na zona sul de Londrina nos próximos anos. O arquiteto é dono de uma obra arquitetônica constituída por mais 900 projetos executados em 22 anos de profissão - o que lhe confere a incrível média de mais de uma obra projetada e executada por semana.
Josoé de CarvalhoJúlio Ribeiro, considerado um dos mais importantes de Londrina, foi líder do grupo precursor da utilização de cores fortes - vermelho, azul, amarelo, alaranjado etc. - nas fachadas de edifícios no início da década de 70, quando a maioria dos grandes prédios da cidade se caracterizava pelas cores branca, preta, cinza e, no máximo, bege.
A viúva dele, a psicóloga Maria Teresa da Costa Ribeiro, que está na cidade para receber a homenagem na sessão solene da Câmara amanhã, no entanto, se diz muito preocupada com as obras que o arquiteto deixou em Londrina. ‘‘É muito triste, mas estão descaracterizando toda a concepção do conjunto de projetos do Júlio. Grande parte dos prédios por ele projetados, estão sendo pintados de bege, cinza e preto’’, comenta ela.
Além de muitos projetos de obras executados em Londrina, Júlio Ribeiro - que nasceu em Portugal, chegou ao Brasil com 7 anos e se formou pela Universidade Federal do Paraná - deixou suas idéias e propostas em outras de cidades estados, além da Argentina e do Uruguai. ‘‘Quanto vejo estas alterações feitas a pedido de síndicos, por pessoas que não são arquitetos ou não têm experiência profissional, fico muito angustiada. Temos que respeitar a memória, os direitos autorais e a história construída por nossos arquitetos’’, ressalta Maria Teresa Ribeiro.
Ela cita como exemplos de edifícios que sofreram mudanças, o Residencial Quinta da Boa Vista (zona sul), o Estoril, o Torremolinos e o Torres Vedras (todos na área central). As mudanças que a viúva de Júlio Ribeiro mais critica são as de instalação de guaritas, grades e das cores nas fachadas e paredes externas.
‘‘Compreendo que há o problema de falta de segurança. E os moradores podem não gostar das cores originais. Mas as mudanças só devem ser executadas dentro de um projeto, assinado por outro arquiteto, e que leve em consideração o acervo técnico do escritório de Júlio, que prossegue com direitos autorais sobre as obras por ele projetadas’’, enfatiza Maria Tereza Ribeiro. ‘‘Não é porque uma pessoa não gosta de um livro, que ela tem o direito de arrancar suas folhas. Não quero dinheiro pelos direitos autorais, mas exijo respeito à concepção de arquitetura e ao conjunto das obras criado por Júlio. Até porque, ele é da maior importância para o acervo cultural de Londrina.’
A sessão solene da Câmara acontece às 17 horas de amanhã, e além da família de Júlio Ribeiro outras 113 serão homenageadas por seus parentes terem emprestado os nomes para ruas, praças, avenidas e prédios públicos em Londrina, através de leis aprovadas no ano passado.

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