Descanso que vira preocupação para pais
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
Silvana Leão<BR> Reportagem Local 
Aguardadas ansiosamente pelas crianças, as férias escolares tornam-se um problema para pais e mães que trabalham fora. Muitos não contam com a ajuda providencial de avós e outros parentes, enfrentando duas vezes por ano o dilema entre abrir mão do trabalho e fazer companhia para os filhos nos dias de descanso ou garantir o sustento da família.
Até o próximo dia 2, quando a maioria dos centros de educação infantil municipais e filantrópicos de Londrina retorna às atividades, a diarista Sandra Scarabeli terá que continuar pagando uma sobrinha para cuidar da filha de 2 anos nos dias em que tem faxina agendada. Pelos cinco dias de trabalho que coincidiram com o recesso na creche, Sandra vai desembolsar R$ 50,00. ''Tenho que pagar para não perder o serviço, mas é complicado'', diz a diarista, que enfrentou a mesma situação com a filha mais velha, hoje com 11 anos.
O caso de Vanda Augusto da Silva é ainda mais complicado. Há quase três anos, quando descobriu um câncer, a auxiliar de cozinha deixou de trabalhar e, nos dias em que o mal-estar causado pela quimioterapia é maior, não tem como dar atenção à filha caçula, de 2 anos. No período letivo, Vanda conta com a creche, mas em tempos de recesso, a solução é recorrer à filha mais velha, de 19 anos. O problema é que a jovem trabalha como empregada doméstica, e no período de férias é obrigada a abandonar o emprego. ''Não tenho condições de pagar outra pessoa'', justifica Vanda.
Segundo a gerente de educação infantil da Secretaria Municipal de Educação, Mariangela de Sousa Prata Bianchini, o recesso nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) é necessário para que os educadores desfrutem dos mesmos direitos dos professores do ensino fundamental, pois todos fazem parte do mesmo sindicato. ''Além disso, consideramos que a criança também tem necessidade de descanso.'' De acordo com a gerente, o calendário das CMEIs e escolas de educação infantil foi unificado há três anos. Cabe às instituições filantrópicas seguir ou não o cronograma sugerido.


