Londrina - Desavenças familiares, busca de aventura, maus tratos, ilusões amorosas e drogas. Esses são os motivos mais comuns pelos quais adolescentes fogem de casa, de acordo com o delegado Hormínio de Paula Lima Neto, titular da Delegacia de Vigilância e Captura (DVC), em Curitiba, responsável por esse tipo de investigação na capital. "São raros os casos onde o adolescente é sequestrado; (quando isso acontece) os sequestradores fazem contato logo após, os procedimentos são diferentes."
De acordo com ele, os jovens entre 14 e 17 anos são os que mais fogem, e cerca de 60% são meninas. "O adolescente está em ebulição com seus ideais e as meninas são mais cobradas pelos pais, que temem principalmente a gravidez. Por isso elas acabam fugindo, geralmente para se encontrarem com namorados ou ‘pseudonamorados’, rapazes que não são conhecidos da família e amigos", explica.
Lima Neto conta que as redes sociais tornaram mais comuns esse tipo de fuga e que o computador facilita conversar com desconhecidos, porque minimiza o constrangimento. É comum também que os rapazes sejam mais velhos do que as adolescentes e por isso sabem o que fazer para conquistá-las. "Mais uma vez o computador facilita, porque você pode copiar poemas e outras coisas instantaneamente, eles têm as ferramentas de persuasão", destaca. Nesses casos, Lima Neto alerta que os pais do rapaz, ao saberem da presença da menina, devem tomar providências.
Quando duas garotas desaparecem juntas, em geral estão em busca de aventura e o objetivo é viajar e conhecer pessoas e lugares. "Elas costumam ter uma vida mais desregrada. Em todos os casos, em geral em três dias elas voltam para casa ou são localizadas pela polícia", conta.
Já os garotos costumam sair de casa principalmente por causa do vício em entorpecentes. "Eles se ‘internam’ nas bocas de fumo, nas biqueiras. E muitos acabam pagando com a vida", alerta, ressaltando que mesmo assim são poucos os casos que acabam de forma trágica.

Prevenção
O delegado alerta que com os pais devem conversar com os filhos sobre responsabilidade, educação sexual e os males que existem fora de casa. "Os pais não devem sobrepor sua vontade sobre a do adolescente, mas sim explicar o porquê das coisas. Se não há dinheiro para ir para a uma balada duas vezes no mês, dizer isso. E essa conversa precisa acontecer desde cedo, é um processo. Mas os pais hoje têm pouco tempo para os filhos, muitas famílias estão desestruturadas. Os adolescentes acham que sabem tudo, mas são volúveis ao meio", lamenta.
Não há sinais específicos de que o adolescente irá fugir, mas alguns se tornam arredios ou mais calados, comportamentos também típicos da idade. Em caso de desaparecimento, Lima Neto recomenda que os pais observem se o filho mudou sua rotina, como sair de casa para ir para a escola e não chegar. "Verifique também com os amigos se eles sabem de alguma coisa e se o adolescente não está na vizinhança. Em caso negativo, procure a delegacia mais próxima e faça o registro do desaparecimento. Não é necessário aguardar 24 horas para isso", alerta.

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