Desativada, cadeia abriga móveis e bicicletas recuperadas
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quarta-feira, 03 de setembro de 2003
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O juiz da Vara de Execução Penais (VEP), Roberto do Valle, afirmou ontem que vai entrar em contato com o Ministério Público para que estude uma forma de interpelar judicialmente os responsáveis pela desativação das carceragens do 3º e 5º distritos policiais. Eles estão localizados, respectivamente, nas regiões oeste e norte de Londrina.
De acordo com o delegado Marcelo Sakuma, a desativação foi determinada pelo então Secretário de Segurança Pública, José Tavares. Além de desativar, Tavares havia determinado a retirada das grades para readaptação do prédio do 3º DP, localizado no Jardim Bandeirantes, para construção de salas que abrigariam cartórios e os investigadores. ''Foi uma determinação do governo anterior de que não iria entrar mais presos lá, porque o prédio é vizinho de uma escola'', declarou. Sakuma revelou também que as grades retiradas foram reutilizadas para reforço das carceragens do 2º e 4º distritos. Hoje Sakuma responde pelo 1º DP, mas na época da desativação, ele era o titular do 3º DP.
Atualmente, o distrito do Jardim Bandeirantes é comandado pelo delegado Manuel Pelissom. As antigas celas são usadas como depósito de móveis antigos e, principalmente, de bicicletas furtadas recuperadas pela polícia. Alguns móveis pertencem a uma funcionária da 10 Subdivisão Policial (SDP). Ela estava morando no local, utilizando uma das antigas celas. Segundo Sakuma, antes da reativação do plantão em abril, o distrito ficava sozinho. Como não teria sido permitida a instalação de um sistema de alarme, a funcionária teria se proposto a ficar para cuidar do prédio. A funcionária já desocupou o local.
Para o delegado-chefe da 10 SDP, Jurandir Gonçalves André, a desativação da carceragem trouxe a vantagem de não usar investigadores para cuidar de presos. Segundo ele, quatro profissionais de cada distrito passaram a atuar mais efetivamente na investigação.
Atualmente, Londrina tem 660 presos provisórios, entre homens e mulheres, abrigados nas carceragens do 2º e 4º distritos policiais e na Casa de Custódia. O excedente carcerário é de 372 detentos. Os números foram fornecidos pelo juiz Roberto do Valle.
A reportagem tentou entrar em contato com o ex-secretário de Segurança Pública, José Tavares, para comentar o assunto, mas ele não foi localizado.


