Milton DóriaSolidariedadeJosé Sakarovsky na rua Senador Souza Naves: situação do mendigo, que mal conseguia andar, sensibilizou grupo de estudantesA situação de um mendigo sensibilizou um grupo de crianças que saía da escola ontem no horário do almoço. Elas ficaram indignadas com a desatenção das pessoas e, principalmente, de entidades locais que teriam se recusado a atendê-lo. José Sakarovisk, 34 anos, morador dos Cinco Conjuntos (zona norte), como ele se apresentou, estava cheirando mal, com as pernas e olhos inchados, tremia e mal podia parar em pé.
‘‘Meu pai passou por aqui ontem (anteontem) na hora do almoço e ele já estava aí. Ele nem consegue andar e ninguém faz nada, não porque não pode, mas porque não quer’’, dizia a estudante da 6ª série Aline Ciconato, inconformada com a situação. O mendigo escolheu a frente do edifício Genta, na rua Senador Souza Naves, para parar. Segundo uma funcionária do prédio, Camila Cristina Menegolo, ela e outras pessoas do prédio já tinham telefonado para todas as entidades assistenciais da Cidade. A resposta em todas foi negativa. ‘‘Ele precisa de atendimento médico. As pessoas que entravam no prédio também nem ligaram, pulavam o mendigo e ninguém fez nada. É uma vida humana’’, disse.
Questionado sobre o que sentia, José respondeu como alguém desiquilibrado. ‘‘Isso é por causa do tempo. Está vendo esse brilho no chão? É isso que me faz mal’’, disse. ‘‘Lendo e estudando a Bíblia sara.’’ José se recusava a aceitar qualquer tipo de comida. Segundo ele, só a água já lhe fazia mal.
Depois de muita insistência, as meninas e funcionários das proximidades do edifício Genta, na rua Senador Souza Naves, conseguiram deslocar uma viatura da Polícia Militar até o local. Os policiais acabaram conseguindo uma ambulância do Transporte Emergencial Centralizado (TEC). Apesar da informação do motorista de que o TEC não transporta mendigos, a ambulância acabou atendendo o caso, diante da insistência dos policiais e de algumas pessoas da vizinhança.
Antes de aceitar a ajuda, José disse que não iria porque já tinha passado pelo hospital e o ‘‘doutor’’ teria lhe falado que não iria atendê-lo. ‘‘Deram um remédio só’’, disse. ‘‘Para mim não precisa não, tá bom assim. Desculpem, mas não preciso de vocês.’’ Os policiais acabaram convencendo o mendigo da necessidade de cuidados e ele foi levado ao Hospital Universitário. A supervisão do HU informou, algumas horas depois, que o mendigo estava sendo atendido.

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