A nova lei de desarmamento é para o governo, e para autoridades que lidam com segurança pública, um mecanismo importante para a diminuição dos índices de criminalidade. Mas, por outro lado, pouco ainda se discutiu sobre medidas preventivas e educativas de combate à violência. Em Londrina, uma escola particular começou um trabalho ''pacifista'' há quatro anos e conseguiu despertar o interesse dos seus 350 alunos para a importância de uma convivência social mais harmoniosa. E o melhor, alcançou isso sem nenhum custo adicional.
O projeto ''A Paz no Mundo Começa em Mim'' foi criado pela Escola Interativa em 1999, com o interesse de promover a reflexão e a discussão sobre ações ligadas à violência e à não violência, buscando despertar nas crianças e também nas famílias a necessidade e a importância de praticarem a paz. A diretora pedagógica, Silvia Helena Carvalho, contou que as crianças foram estimuladas a entregarem na escola brinquedos como revólveres, espadas e outras ''armas'', que lembravam ou levavam a ações violentas.
No primeiro ano, todo o material arrecadado foi transformado num robô pacifista. No outro ano, as crianças decidiram derreter os brinquedos e, com o plástico, foi feita uma pomba, símbolo maior da paz. Neste ano, a coordenadora de marketing da escola, Eliane Pitaguari, lembrou que as crianças estão fazendo um livro baseado em três grandes temas: paz ambiental, paz interior e paz social.
Os resultados, segundo Silvia, são visíveis tanto no relacionamento entre os alunos como na reação deles com relação aos brinquedos mais violentos.''Houve um momento em que nossos alunos não tinham mais armas de brinquedos para trazer para a escola e foram procurar os brinquedos de colegas e parentes'', apontou Silvia. ''As crianças têm consigo essa preocupação e já conseguem propagar isso para os outros e na própria família'', completou.
De acordo com ela, a resistência maior a esse tipo de abordagem, de maneira geral, parte dos pais por temerem que os filhos se tornem pessoas passivas. Ela explica, porém, que não se trata de acabar com a agressividade, característica inata do ser humano e que é essencial quando em níveis saudáveis, mas sim construir uma cultura de paz.
''A escola atual se preocupa em ensinar apenas os aspectos cognitivos da educação e se esquece de ensinar seu aluno a resolver os problemas da vida'', detalhou a mantenedora da escola, Jane da Cunha Martins. Ela disse que para implementar a idéia a escola não teve nenhum custo extra e que precisou apenas da ''adesão e comprometimento dos professores e alunos''. Com pouco de estratégia e vontade, ela garantiu que a idéia pode fazer a diferença também nas escolas da rede pública de ensino. A iniciativa privada poderia contribuir doando brinquedos menos violentos para serem trocados com os alunos.

mockup