Desapropriação do Jóquei pode ir à Justiça
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de julho de 2002
Marcos Espíndola <BR>Reportagem Local 
A Prefeitura de Londrina deve apelar à via jurídica para garantir a desapropriação de uma área de 254 mil metros quadrados na zona oeste, onde a Pontifícia Universidade Católica (PUC) tem projeto para implantar um campus. Pelo menos esta será a orientação da Procuradoria Geral do Município, que desde quarta-feira analisa uma consulta feita pelo prefeito em exercício, Tercílio Turini (PSDB).
O próprio Turini já descarta a possibilidade de um desfecho amigável para a negociação com os sócios do Jóquei Clube de Londrina, proprietário da área. Reunidos em assembléia na tarde de quarta-feira, os sócios rechaçaram a proposta de desapropriação do município.
A prefeitura havia proposto o pagamento de R$ 2.390.995,12 pela desapropriação do imóvel situado na Avenida Tiradentes. A maioria dos associados que votaram pela rejeição da proposta na assembléia considerou o valor pago pela prefeitura muito baixo. ''Foram seis meses de negociações, buscando uma negociação amigável que foi rejeitada pelos sócios em assembléia. Parece que não outra alternativa senão a judicial'', adiantou ontem o prefeito em exercício.
Turini aguarda para hoje uma visita de representantes da PUC, segundo ele, que demonstraram preocupação com a rejeição da proposta da prefeitura. Tanto a chefia de gabinete da reitoria da PUC quanto a representação em Londrina afirmaram desconhecer o resultado da assembléia no Jóquei Clube. Eles também disseram que não foi marcado um encontro com Turini hoje. A instalação de um campus da PUC em Londrina, adverte Turini ''é irreversível''.
O parecer encomendado pelo prefeito em exercício deverá ser concluído na próxima semana, mas o procurador-geral do município em exercício, Celso Zamoner, considera que a alternativa mais viável seria ingressar na Justiça com uma ação de desapropriação do imóvel.
Numa provável ação, a prefeitura poderá solicitar a emissão de posse da área, mediante um depósito do dinheiro em juízo. Isto, segundo Zamoner, garantirá a posse do terreno e a sua utilização pela PUC, mesmo que a ação esteja tramitando na Justiça. ''Geralmente ações envolvendo desapropriações levam anos'', explica o procurador em exercício.
Ontem ainda surgiram rumores de que, temendo uma possível demora na doação da área do Jóquei Club, a PUC estaria sondando a possibilidade de levar seu campus para Cambé (13 km a oeste de Londrina). A informação foi negada pela representação da PUC em Londrina. O vice-prefeito de Cambé, Cícero Teixeira, também nega os contatos, embora afirme que a ''prefeitura estará aberta para todos os grande investimentos''.
Teixeira lembra que há cerca de 14 meses representantes da PUC estiveram em Cambé visitando possíveis áreas para instalar um Campus, mas a opção final foi por Londrina. ''De lá para cá a PUC nunca mais nos contactou'', adianta o vice-prefeito.


