Setenta e quatro pessoas estão desaparecidas em Curitiba desde o início do ano, segundo estatística da Delegacia de Vigilância e Capturas. O orgão, que é responsável pelos registros na capital, não tem números sobre os desaparecidos no Paraná.
A única certeza da polícia tem relação com o desaparecimento de crianças, que é investigado pelo Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride). No Estado, estão desaparecidas, desde 1987, 13 crianças.
Os números da delegacia revelam que em 1997 foram registradas 723 ocorrências de desaparecimentos. O número de pessoas encontradas, porém, é bem superior: 953. A diferença mostra que em 1996, ano do qual a polícia não tem estatística, grande parte dos desaparecidos não havia sido encontrada.
Apesar disso, o delegado Carlos Alberto Neves, da Delegacia de Vigilância e Capturas, afirma que 98% dos casos são resolvidos. Segundo ele, os desaparecidos acabam voltando para casa ou são encontrados, mesmo que estejam mortos. ‘‘Apenas 1% ou 2% permanecem sem solução’’, revela. Neves afirma que os casos insolúveis envolvem, geralmente, crianças.
Isso ocorre mesmo com a ação do Movimento Nacional em Defesa das Crianças Desaparecidas no Paraná, criado pela bancária Arlete Caramês Tiburtius depois do desaparecimento de seu filho Guilherme, em 7 de junho de 1991.
O delegado afirma que cerca de 50% dos desaparecidos são crianças e, principalmente, adolescentes que têm problemas de relacionamento com os pais. ‘‘Eles simplesmente saem de casa e não dão satisfação’’, disse. Segundo Neves, 20% dos desaparecidos são doentes mentais. Os outros 30% são pessoas de meia idade, geralmente caminhoneiros que perdem contato com as famílias. O delegado diz que esses ‘‘desaparecidos’’ acabam voltando para casa.

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