Desaparecido não usou colete protetor
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 1997
Da Sucursal 
A maioria das pessoas que desce o Rio Nhundiaquara de bóia - um passeio de cerca de seis quilômetros e duas horas de duração - não usa colete salva-vidas. Era o caso de Paulo César Barreto Pinto e do pai da noiva dele, Arlindo Inácio de Souza.
Souza, que acompanhava as buscas, disse que só não morreu porque conseguiu se agarrar a um galho de árvore. A água chegou de repente, só ouvi um assobio do meu genro antes de vê-lo sendo levado pela água, contou.
A falta de segurança para a prática do boiacross no Rio Nhundiaquara era o assunto mais comentado em Porto de Cima. Falta policiamento, conscientização, segurança. Todo ano morre gente aqui, diz o morador Maurício Tavares. A última morte, de um menino de 14 anos, ocorreu em janeiro.
Dos cerca de dez pontos que alugam bóias - com preços entre R$ 1,00 e R$ 2,00 -, só o do biólogo Magno Segala passou a ter coletes recentemente, mesmo assim, apenas cem para cerca de 300 bóias. Nunca aconteceu uma cabeça dágua como essa e não há lei que exija coletes, diz o dono de bóias Luís Matias.
Comerciantes, policiais e Instituto Ambiental do Paraná se envolvem numa troca de acusações sobre as responsabilidades pela fiscalização do boiacross. Mas todos fazem coro para dizer que o maior problema é a falta de regulamentação do esporte. Não existe delimitação do percurso nem cadastro dos clientes, as pessoas que querem trazem bóias de casa e ninguém fiscaliza, disse o subcomandante do Corpo de Bombeiros em Paranaguá, capitão Luiz Henrique Pombo. Segundo ele, os esportes aquáticos são competência da Capitania dos Portos: Só podemos assumir se houver uma delegação.
O técnico do IAP Harvey Schlenker também reclama da falta de estrutura no local, que nos finais de semana de sol chega a receber mais de dois mil turistas. Segundo ele, os donos das bóias só querem dinheiro e não se preocupam em alertar os turistas sobre as condições de segurança. Harvey afirma que uma chuva forte na serra leva cerca de 30 minutos para encher o Nhundiaquara na altura do boiacross: Com monitoramento, é possível evitar situações de risco.


