A estiagem e a baixa umidade relativa do ar tem causado transtornos em várias cidades e em Londrina não é diferente. De acordo com o departamento de Meteorologia do Instituto Ambiental do Paraná (Iapar), até o dia 13 de setembro a cidade registrou apenas 2,2 milímetros de chuva, enquanto que a média esperada para o mês é de 123 milímetros. A umidade relativa do ar tem girado em torno de 26%, deixando o município em estado de alerta devido aos problemas respiratórios desencadeados pelo clima seco.
Os incômodos têm ficado ainda mais acentuados devido às altas temperaturas. Ainda no inverno, os termômetros têm ficado próximo à casa dos 30 graus. Enquanto algumas pessoas brindam a fim dos dias frios e se programam para mais uma temporada de piscina e praia, outros se preparam para enfrentar longos dias de trabalho sob o sol forte e o calor excessivo.
O aposentado Orípeo de Paula caminha cerca de 30 quilômetros por dia para refrescar a vida das pessoas nos dias mais quentes. Aos 75 anos, ele trabalha como sorveteiro para incrementar a renda da aposentadoria. ''Trabalho como sorveiteiro há três anos, das 10 às 17 horas. Além da ajuda financeira, essa atividade me ajuda a manter a saúde, pois se ficasse parado em casa talvez já estivesse doente'', afirma.
Mesmo nos dias mais quentes, ele não abre mão de andar bem alinhado. ''Não gosto de bermuda e camiseta. Uso camisa comprida e calça todos os dias porque desta forma também me protejo do sol. Apesar de suar bastante prefiro o calor do que frio, pois além de vender mais sorvete me sinto melhor'', enfatiza.
Acostumado ao sol forte da Bahia, onde nasceu, Reinaldo Rodrigues não se intimida com o calor na hora de puxar seu carrinho que abriga até 300 quilos de material reciclado. ''Em Salvador (BA) é muito quente, então minha pele já está acostumada com o sol. Não dá pra parar nem mesmo no meio da tarde, quanto está mais quente, porque tenho que trabalhar para pagar aluguel e me sustentar. Chego a percorrer cerca de 30 quilômetros por dia catando material reciclado da Vila Casoni (Área Central) até a prefeitura'', afirma.
Bermuda e chinelo
Vendendo carteiras e cintos de couro, Cosmo Lima Cardoso também caminha o dia todo pelas ruas da cidade em busca do sustento para sua esposa e três filhos que ficaram em sua terra natal, a Paraíba. ''Começo a trabalhar às 8 e só paro às 18 horas. Nos dias mais quentes ando só de bermuda, camiseta e chinelo porque transpiro demais. Uso protetor solar e tomo bastante água para manter a saúde e amenizar os efeitos do sol. O importante é conseguir dinheiro para manter a família'', ressalta.
Há oito meses, Peterson Henrique de Souza deixou de trabalhar como auxiliar de sacaria para ganhar a vida como servente de pedreiro. ''Antes eu trabalhava na sombra e agora fico o dia todo no sol. Quando chega o meio da tarde a gente tem que procurar uma sombra porque o sol é muito forte. Além disso tomo bastante água. O sacrifício vale a pena pois a renda é melhor, mas o calor também é grande'', relata.

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