Maringá - Em menos de três meses todas as escolas públicas do país deverão ter inserido o ensino da música em sua grade curricular. Agosto é o prazo limite para a implantação da determinação, prevista na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação, sancionada pelo ex-presidente Lula há três anos. Apesar do prazo estar acabando, pouco ou quase nada mudou após este período. O que se vê são poucas iniciativas em parceria com prefeituras por meio de leis de incentivo à cultura, ou empresas privadas que, eventualmente, realizam projetos musicais.
Para especialistas da área que estiverem em recente Encontro Regional da Associação Brasileira de Educação Musical (Abem) Sul, em Maringá (Noroeste), muitos ainda são os desafios para que a lei seja efetivamente realizada. Porém, de acordo com a vice-presidente da entidade, Jusamara Souza, mesmo que as mudanças estejam longe do ideal, a mobilização e o reconhecimento de que a música deve compor os ''saberes'' da formação já é um grande passo. ''Depois de 30 anos, enfim, a música foi reconhecida como parte integrante da formação humana das crianças'', comemora.
Formação humana porque não se trata de uma disciplina, mas de um conteúdo de música a ser praticado na matéria Artes, juntamente com artes plásticas e teatro, por exemplo. ''A LDB prevê autonomia para que cada escola tenha sua proposta pedagógica com abordagem do assunto, mas não de que forma deve ser feita, ou seja, como será ministrada, bem como a periodicidade. Essa decisão vai caber aos estados e municípios.'' Isso significa que cada um irá decidir se a música terá foco no desenvolvimento da coordenação motora ou no senso rítmico e melódico.
Mais importante para ela, porém, e que tem de ficar claro, é que neste conteúdo do projeto político-pedagógico o objetivo não é formar músicos. ''Mas oportunizar o contato com a música, de maneira a permitir a socialização, estimular a criatividade e a sensibilidade pelo conhecimento transmitido.'' Jusamara faz essa ressalva, porque quando se fala em música, a população em geral associa seu ensino, obrigatoriamente, ao uso de instrumentos. ''O trabalho com música é muito amplo. São várias perspectivas, que também inclui o trabalho com instrumentos'', explica.
Adaptação
E se o desafio da implantação da lei é grande, principalmente pela falta de incentivo e apoio governamental que atinge diretamente as condições de trabalho e infraestrutura, a adaptação dos egressos da academia não deve ser diferente. ''Dar aulas em uma sala com 40 alunos é muito diferente de um conservatório com aluno particular. Certamente as universidades vão precisar rever sua metodologia de ensino, já que o objetivo maior não será formar instrumentistas nas escolas.'' Isto porque, o ensino musical tecnicista se difere do sensibilizador.
Além das universidades, segundo a vice-presidente, há também o desafio de preparar o professores que já estão na rede pública no ensino fundamental. ''Os pedagogos não precisam ter a graduação em música, o que tem sido alvo de várias discussões. Para tanto, a saída tem sido cursos como o Parfor, que habilita professores de outras áreas para a música'', pontua.
O Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor) é uma iniciativa do governo federal em parceria com instituições públicas de ensino superior destinada a professores em exercício das escolas públicas estaduais e municipais, sem formação adequada à LDB, oferecendo cursos superiores públicos, além de cursos de extensão, aperfeiçoamento e especialização.

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