Três escolas estaduais pioneiras na implantação da Educação Integral no Paraná têm lidado com os desafios iniciais das mudanças de paradigmas decorrentes do aumento da carga horária de permanência dos estudantes, professores e outros funcionários. A reportagem da Folha conversou com os três diretores e constatou diferentes desafios apresentados em função desse aumento de turno.
Em Londrina, no Colégio Estadual Dario Vellozo, o diretor Paulo Sérgio Faganello já havia manifestado em reportagem publicada em fevereiro que houve pouco tempo para divulgar a mudança que resultou na implantação do ensino integral. Isso fez com que algumas vagas permanecessem disponíveis mesmo duas semanas depois do início do ano letivo. No 6º ano do Ensino Fundamental foram disponibilizadas vagas para 35 alunos e todas estão preenchidas, no entanto para o 1º ano do Ensino Médio foram disponibilizadas 35 vagas, mas apenas 28 foram preenchidas.
Além da questão da falta de tempo para realizar a divulgação, o diretor apontou que muitos alunos do 9º ano do ano passado já estavam trabalhando e decidiram mudar para outra escola neste ano para continuarem empregados. "São jovens que já atuam como aprendizes. Muitos não tinham esse encaminhamento e optaram por ficar (na Dario Vellozo). Eles experimentaram e gostaram tanto da proposta que há alunos que, mesmo depois de terminarem as aulas, permanecem aqui. Devem estar gostando dessa nova metodologia", declarou.
O diretor do Colégio Júlia Wanderley, de Cascavel (Oeste), Rosimar Baú, afirma que esse não é um problema que afeta a sua escola. "Dos 98 alunos que tinham potencial de entrar no Ensino Médio integral, apenas 58 alunos se inscreveram. Desse total, apenas 8 eram menores aprendizes", contabilizou. Para ele, o maior desafio é que os alunos manifestam o desejo de não estudar em tempo integral. "E os pais não possuem autoridade para confrontar isso", declarou.
Já no Colégio Estadual Professora Elenir Linke, em Cantagalo (Centro-Oeste), a diretora Kelly Rosa Walendorff afirmou que o número de vagas supriu totalmente a demanda. "Não se formaram filas. Restaram cinco ou seis vagas, mas isto estava dentro do previsto", analisou. Ela ressaltou, no entanto, que houve aumento de despesas, mas o fundo rotativo, destinado para suprir as despesas cotidianas, não sofreu reajuste. "Fizemos a solicitação à Secretaria estadual de Educação (Seed), mas até agora não obtivemos resposta", apontou.
Mesmo assim, Elenir ressalta que o balanço da implantação da educação em período integral é positivo. "Houve resistência no começo, porque a matriz com que eles estão trabalhando é diferenciada. Agora eles estão gostando. Fazem três refeições ao dia; lanche da manhã, almoço e lanche da tarde. Todos estão almoçando e escovando os dentes aqui. Eles não levam tarefa para a casa, pois todos os exercícios são resolvidos em sala de aula", ressaltou.
A diretora afirma que está sendo um novo desafio. "Nós montamos toda a base de conteúdos. Implantamos projetos diferenciados, como a horta escolar, arte no muro, arborização da escola. Estamos pensando em melhorar a qualidade de vida dos alunos", explicou.

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