Desafios e perspectivas da educação especial
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quinta-feira, 07 de novembro de 2013
Érika Gonçalves<br> Reportagem Local 
Londrina - Práticas inclusivas, preconceitos e estigmas, desafios e formação profissional são alguns dos temas trabalhados durante o 7º Congresso Brasileiro Multidisciplinar de Educação Especial, que termina hoje, em Londrina. Durante três dias cerca de 800 pessoas entre alunos, professores e pesquisadores trocaram informações não só sobre a inclusão de pessoas com deficiência mas também como trabalhar com alunos com altas habilidades/superdotação. Além de educadores, também participam fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e médicos.
"O congresso é realizado a cada dois anos e o objetivo é congregar pesquisadores, profissionais, professores, alunos de graduação e pós-graduação para discutir a temática da educação especial", explica a vice-coordenadora Eliza Dieko Oshiro.
Segundo a coordenadora do evento, Maria Cristina Marquezine, o Congresso promovido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) é o segundo melhor do Brasil na área de Educação Especial. "Só perdemos para o congresso de São Carlos (interior de São Paulo), onde temos o único mestrado e doutorado em Educação Especial", aponta.
Entre os diversos temas tratados, as altas habilidades/superdotação é um dos com maior procura. As especialistas Susana Barrera Pérez, Cristina Delou e Soraia Napoleão Freitas coordenaram o simpósio "Altas habilidades/superdotação: desafios e perspectivas educacionais". "Começamos em uma salinha pequena, fomos para outras maiores e hoje já ficou apertado novamente", conta Susana Barrera Pérez.
Segundo ela, esse é um tema esquecido dentro da educação especial e continua sendo discriminado pela academia. "Acham que é um tema novo, mas não. Para começar, existem vários mitos, como o de que os alunos são muito inteligentes em todas as áreas, quando na verdade, pode ser apenas em uma", explica.
Susana explica que o aluno com altas habilidades/superdotação aprende mais rápido e pode ter mais criatividade. "Ele se destaca fazendo perguntas, pesquisa conteúdos diferentes. O nível escolar está distante da capacidade desse aluno."
Cristina explica que às vezes a escola pode desperdiçar o talento de uma criança. "Imagina um aluno sem condições de fazer aulas de música, por exemplo. Ele precisa que alguém tenha essa percepção, para encaminhá-lo adequadamente, caso contrário, é um talento perdido. Para perceber isso, o professor precisa ter uma formação específica. Uma das maiores dúvidas do professor, quando descobre que um aluno tem essa característica, é o que fazer com ele? Também há aquele que teme que o aluno ocupe seu lugar", explica.
Susana ressalta também que não é incomum o professor querer que o aluno se adapte à escola. "O aluno fica sem desafios, desmotivado e muitas vezes acaba desistindo de estudar."
Segundo a Organização Mundial da Saúde entre 1% e 3% da população é formada por pessoas com altas habilidades/superdotação. "Mas segundo o Censo 2010 apenas 11 mil alunos foram identificados com essas características, o que mostra que uma grande parcela ainda não está tendo o devido acompanhamento", alerta Cristina.
Comportamento
Soraia ressalta também que os cursos de Atendimento Educacional Especializado (AEE) não contemplam a discussão de altas habilidades/superdotação, o que causa prejuízos aos alunos. "O professor de educação básica não tem como saber sobre isso, onde buscar essas informações. O professor precisa ser sensibilizado sobre a questão, já que desde pequena a criança dá sinais de suas habilidades, fazendo coisas não comuns para sua idade, por exemplo", conta.
Entre os comportamentos mais comuns de crianças com altas habilidades/superdotação estão o raciocínio rápido, memória complexa, senso de humor exacerbado, busca de soluções próprias para os problemas, interesse por assuntos e temas complexos, entre outros.


