Desafio para vencer estudo e trabalho
Pela manhã, a dentista Irlaine da Silva Moreira, 37 anos, vive entre anestesias e obturações no consultório dela, onde atende os pacientes para ganhar a vida. As tardes e noites e os fins de semana são dedicados ao estudo. O objetivo da profissional é mudar de ramo e, principalmente, aumentar a renda mensal.
O alvo são concursos públicos na área de auditoria fiscal, onde o salário inicial é de cerca de R$ 10 mil. ''A área da saúde é complicada. No geral, a população preocupa-se apenas com o preço e não com a qualidade do serviço'', diz. Assim que passar num concurso, Irlaine vai abandonar a odontologia.
A concorrência por um lugar ao sol no setor público reúne os mais diferentes candidatos. Quem pode, dedica-se exclusivamente à preparação para os concursos. Dois anos e meio de trabalho no Japão garantiram o dinheiro suficiente para o ex-empresário Paulo Yassushi Kamiji, 32, estudar para as provas. Ele quer uma vaga de auditor da Receita Federal. ''Tenho a segurança da poupança do dinheiro do Japão e da venda da minha empresa. Foi tudo planejado. É um investimento a longo prazo'', declara Kamiji.
Formada em marketing e propaganda em 2004, Naira Lúcia Nunes Maia, 25, decidiu deixar o diploma de lado e passou a dedicar-se com exclusividade aos concursos públicos nos setores administrativos do Poder Judiciário ou do Ministério Público. Em três provas, Naira ficou como excedente e aguarda convocação. ''Num dos concursos acertei 97% da prova e não fui aprovada'', lamenta.
Com uma concorrência tão acirrada, quem sai ganhando são os cursinhos preparatórios. As aulas atraem estudantes universitários, recém-formados e profissionais em fim de carreira. A análise é do coordenador pedagógico de um dos cursos preparatórios de Londrina, Akihito Allan Hirata.
Segundo Akihito Allan Hirata, coordenador de um curso preparatório, além dos bons salários, o setor público oferece estabilidade. ''As provas e as chances são iguais para todos. Por isso, a remuneração é justa'', opina.
A tecnologia é uma aliada dos estudantes. Parte dos cursinhos de Londrina contam com o sistema de aulas telepresenciais, quando a palestra do professor é assistida por alunos do País inteiro, com a possibilidade de tirar dúvidas em tempo real.
Outro coordenador de curso, Edson Antonio Ormindo Fagundes, destaca que o setor está em expansão, com mais de 10 mil vagas abertas por ano em todo o País. ''A verdade é que ninguém gosta de ser avaliado. Por isso, o caminho para quem presta concursos é tão árduo''. A recompensa, para quem é bem sucedido, vale a pena.(F.R.F.)





