Talita Zaparoli Oliveira tem 31 anos, é graduada em Enfermagem há 10 anos e atualmente cursa pós-graduação em Enfermagem do Trabalho. Mesmo com essa qualificação, nunca conseguiu trabalhar em sua área. Um detalhe a mais no seu currículo pode ser o dificultador. Quando estava no último ano da faculdade teve um descolamento de retina enquanto dormia e perdeu a visão totalmente. ®MDNM ''Fala-se tanto que os deficientes não estão preparados para o mercado de trabalho, mas os que estão preparados como eu, por exemplo, também não têm oportunidade'', reclama.
Ela relata ter enviado currículos para vários lugares, mas nunca obtém resposta. ''Eles não se negam a pegar (o currículo) mas prometem ligar e nunca ligam, mesmo quando há vagas para pessoas com deficiência.''
Para quem acredita que uma enfermeira não possa exercer a profissão caso não enxergue, Talita explica que diversas atividades podem ser desenvolvidas, como ministrar aulas e palestras, atuar em programas de saúde preventiva, fazer assessoria e auditoria. ''A deficiência me limita, mas não me incapacita'', declara.
José Giuliangeli de Castro, titular da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Acessibilidade, afirma que o problema de pessoas graduadas é que nessas funções se costuma exigir aptidão plena, ou seja, não se aceita que a pessoa não seja capaz de exercer todas as funções que deveria exercer na profissão escolhida.
''As empresas precisam estar adaptadas, não somente no mobiliário, mas também de máquinas, equipamentos e ajuda técnica, que seria uma outra pessoa auxiliando o profissional com deficiência quando necessário. Isso custa mais caro e por isso se prefere designar esse profissional para atividades que sejam mais simples e até não condizentes com sua capacidade técnica e mental'', ressalta.
Ele também alerta que o decreto que determina as cotas não é cumprido, já que as empresas não destinam vagas quando a porcentagem sobre o número de vagas não dá um número inteiro. ''Em Londrina esse percentual é de 5%. Se são 7 vagas, a reserva seria de 0,35 vagas. Então não se separa vaga nenhuma para o profissional com deficiência e na verdade o decreto federal estipula que se deve aproximar do número inteiro subsequente, o que resulta na reserva de 1 vaga'', explica.
A assistente social da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), Nayara Cristine Peixoto, diz que na associação não se percebe dificuldade maior entre as pessoas graduadas. ''Acredito que a deficiência em si seja o fator limitante. As pessoas com ensino médio também enfrentam dificuldades'', ressalta.
O consultor empresarial Wellington Moreira acredita que ainda falta maturidade às empresas para perceber que as pessoas com deficiência são tão eficientes como qualquer outro profissional. ''Por não saberem como agir, muitas empresas acabam não contratando esses profissionais. Talvez para algumas o custo dessa adaptação seja um fator limitante. É necessário discutir mais e informar os empresários sobre o que as pessoas com deficiência são capazes de fazer'', explica.

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