Embora o governo do Estado anuncie a reestruturação da Polícia Militar no Paraná – como fez no último dia 9, ao publicar propaganda institucional em diversos veículos de comunicação –, a situação na PM e também na Polícia Civil não é desesperadora.
As duas instituições enfrentam, há algum tempo, dificuldades operacionais que chegam às raias do absurdo. Na Polícia Civil, por exemplo, faltam artigos básicos como material de escritório – papel, inclusive –, armamento e até munição. Isso sem contar a falta crônica de pessoal.
Na Polícia Militar, a situação é um pouco melhor em termos de equipamentos – como viaturas e armas pesadas. Porém, faltam revólveres para cerca de 27% do efetivo e – ao contrário do que diz a propaganda veiculada – ítens de proteção individual como coletes à prova de impactos para cerca de 30% do policiamento ostensivo.
‘‘O problema não é de agora, mas vem se agravando nos últimos anos. Estamos chegando a um ponto que está ficando difícil trabalhar. Enquanto há uma evolução nas leis, nós estamos tentando cumprí-las na base do tacape’’, desabafa um delegado de carreira da região de Londrina, que pede para não ser identificado.
‘‘Comprar um monte de viaturas dá retorno político porque todo mundo as vê nas ruas. Informatizar as delegacias, não. Mas é um absurdo que, nos dia de hoje, um escrivão só disponha de máquinas de escrever. Que um delegado, se quiser agilizar os inquéritos, tenha que usar seu computador pessoal’’, aponta o delegado. ‘‘Na era tecnológica, o mais importante para o trabalho de investigação não são armas nem viaturas e, sim, a informação’’, diz.
Para o delegado, há também problema de planejamento em relação aos recursos. ‘‘O Funrespol (Fundo Especial de Reequipamento Policial) deveria ser suficiente para cobrir todos os gastos de equipamentos. Mas parece que não há preocupação com isso. Investem-se R$ 5 mil mensais no aluguel carros inadequados como viaturas, quando o certo seria priorizar aquilo que é necessário e útil’’, critica.
Um oficial de alta patente da Polícia Militar, que também solicita não ser identificado na reportagem, afirma que não só o Funrespol teve desvio de função, como também o dinheiro da FunPM (Fundo de Modernização da Polícia Militar), que deveria ser utilizado para o aparelhamento da corporação. ‘‘A parte que sobrou vem sendo usada há algum tempo para cobrir despesas de custeio, como alimentação, material de expedição e outras necessidades básicas dos quartéis. E estamos ficando em uma situação crítica’’, afirma.
Segundo o oficial, o governo fez entrega de 300 viaturas novas e 200 restauradas em todo o Estado, nos últimos dias. ‘‘O problema vai ser mantê-las rodando. Se nem combustíveis temos, quanto mais peças de reposição e pneus’’, observa.
Ele diz que a cúpula da PM vêm, há anos, insistindo na questão do mau aparelhamento individual dos policiais, principalmente na falta de ítens de proteção individual e munições vencidas. ‘‘Mas, por uma questão política, não podemos expor publicamente como a situação é grave.’’

mockup