No início da coleta seletiva, o programa atingia 5% da área urbana de Londrina e retirava apenas 5% do material reciclável produzido na cidade, totalizando quatro toneladas diárias. As informações são de Devair Batista de Almeida, coordenador do Programa de Coleta Seletiva no município.
Na época da reestruturação, em 2001, o trabalho passou a ser feito por uma ONG que reunia quase 70 recicladores. Hoje, são 35 associações que coletam 110 toneladas diárias e agregam mais de 400 pessoas vivendo da reciclagem, com rendimento de R$ 380 a R$ 580 mensais. Aproximadamente 70% dos associados são mulheres.
O sistema utilizado na coleta seletiva de Londrina dividiu a cidade em setores e atribuiu a diferentes associações a responsabilidade pela operacionalização do programa nos locais. Em um raio de quatro quilômetros de cada setor, no máximo, fica o barracão onde é feita a separação, a prensagem e a estocagem do material.
As ONGs que não possuem prensas podem realizar a prensagem do material na Central de Pesagem e Vendas (Cepeve). Uma vez por semana, os associados das ONGs passam de residência em residência recolhendo so sacos plásticos verdes com os produtos para reciclagem e substituindo-os por outros vazios.
Almeida considera o programa eficiente, mas afirma que existem desafios a serem vencidos. Um deles é oferecer cursos de capacitção para os recicladores. Ele também considera fundamental viabilizar veículos motorizados para as ONGs que ainda usam carrinhos manuais. Outra necessidade é informar melhor a população que ainda manda restos orgânicos e até mesmo fraldas usadas nos sacos verdes da reciclagem. ''Mas o maior sonho para o futuro é separar o lixo orgânico de cozinha de outros rejeitos para utilizá-lo na fabricação de compostagem para adubar hortaliças'', afirmou Almeida. (C.A.)

mockup