Desafio é manter o conhecimento
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sexta-feira, 06 de setembro de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - Quem leu o livro ou assistiu ao filme "O nome da Rosa", de Umberto Eco, tem uma noção de como o conhecimento era sinônimo de poder. Ambientado na Idade Média, a trama se passa em um período em que os membros da Igreja Católica mantinham seus livros em torres e limitavam o acesso a poucas pessoas. A única fonte de acesso ao conhecimento formal era por meio do clero ou das escolas. Muito diferente da sociedade atual, em que os recursos tecnológicos possibilitam a busca de informações de maneira quase instantânea e nos ambientes mais diversos. Diante deste cenário, a escola, que detinha um fascínio por ser a fonte de conhecimento, foi perdendo seu poder de atração.
"Antes a escola não tinha concorrentes e o que o aluno não encontrava na rua encontrava na escola. Hoje, essa posição se inverteu e por este motivo o desafio deste século é manter o conhecimento e incorporar as coisas novas dentro da sala de aula", destacou o professor Max G. Haetinger, que esteve em Londrina recentemente, na Unifil, para ministrar a palestra "A Escola que encanta e transforma vidas". O evento, da Frente Parlamentar da Educação do Congresso Nacional, foi organizado em Londrina pela Unifil.
"Muitas escolas dispõem de recursos tecnológicos, como computadores e conexão com a internet", ressaltou, destacando que os professores devem fazer uso desses recursos para tornar a aula atraente.
"Mesmo nos locais que ainda estão na era do giz, os professores têm condições de manter o interesse dos alunos. Eles precisam trabalhar por projetos, fazer os alunos irem para a rua pesquisar os assuntos e não ficar apenas obcecado pela narrativa do livro", orientou. Ele exemplificou que idas ao banco, ao supermercado ou a visita a lugares interessantes podem servir para contextualizar conteúdos. "Em muitas escolas rurais os professores conseguem fazer uma revolução muito grande trabalhando com projetos, colocando o aluno em ação e isso torna a redação dele mais viva", exaltou.
Haetinger é pós-graduado em Informática e Educação, Psicopedagogia e Técnicas de Expressão Criadora, mestre em Educação e Educação a Distância e doutor em Informática na Educação. Atualmente leciona na Universidade do Porto, em Portugal.
Sucesso
Indagado sobre o perigo dos alunos se distraírem com os outros recursos que o uso da tecnologia em sala de aula pode provocar, como os jogos eletrônicos, ele destacou que um projeto pedagógico bem fundamentado impede que isso aconteça. "Os jovens e crianças de hoje não mantêm a atenção por muito tempo, ela é fragmentada em virtude dos muitos estímulos e isso faz com que a escola tradicional seja cansativa", analisou.
Ele explicou que para trabalhar com esse novo perfil de aluno não dá para pedir que se faça uma leitura de 30 minutos ininterruptamente, por exemplo. "Nesse caso seria preciso dividir a leitura em três períodos de 10 minutos. Fazer intervalos para descansar um pouco para depois retomar a leitura", destacou.
Segundo o educador, para ter sucesso como professor é preciso fazer diferente, inovar, encantar e surpreender o aluno. "Para inovar é preciso desenvolver a criatividade, que por sua vez vem da curiosidade. O professor precisa incentivar seus alunos com perguntas e não apresentar respostas. Hoje o Google fornece várias respostas, mas não possui capacidade de realizar perguntas. Isso só o ser humano tem capacidade de fazer", destacou. Haetinger apontou que os professores, mesmo que não forneçam as respostas, devem indicar os caminhos que os alunos devem seguir.


