Desafio de falar para um público jovem
Londrina - Lucas Martins, funcionário do Colégio Aplicação, ressalta que a iniciativa de realizar um evento contra a opressão partiu dos alunos. "É uma autonomia estudantil muito importante", destacou.
Segundo ele, o coletivo Liberte-se, organizador do evento, é formado por oito alunas do colégios Aplicação, Gabriel Martins e Vicente Rijo. "Com a própria dinâmica escolar e pelas amizades que essas pessoas têm fora da sala de aula, o grupo está conseguindo expandir essa ideia para outras escolas", explicou. Cerca de 550 alunos participaram das palestras, oficinas e outras atividades ontem.
Para alguns dos palestrantes, lidar com um público tão jovem foi uma novidade. Sílvia Elaine de Castro, jornalista e mestre em Ciências Sociais, ministrou palestra sobre o racismo e o sistema de cotas das universidades. "É a primeira vez que ministro palestra para alunos do Ensino Médio. Geralmente eu dou palestras para pessoas com mais idade. Para mim está sendo um desafio", declarou ontem. Ela destacou que é importante que as pessoas entendam a necessidade do sistema de cotas para corrigir uma dívida histórica do País com os negros.
A pedagoga Mauricéa Severino trabalhou em sala de aula a cultura e a dança africanas. Ela chamou amigos de Angola e de Cabo Verde que fazem intercâmbio na Universidade Estadual de Londrina (UEL) para falarem um pouco sobre seus países de origem e também para apresentar as danças típicas, como o afrohouse ou o kuduro.
Também participou do evento a presidente do grupo Elity Trans, Melissa Campos, que promoveu um debate sobre a transsexualidade. "Os convidados foram escolhidos a dedo para que proporcionassem essa discussão. Nós recebemos denúncias anônimas e até de conhecidos de violência doméstica, estupro, machismo na sala de aula, até por parte dos professores, contra homossexuais e contra negros. Chegamos a cogitar fazer um subprojeto com esses depoimentos", ressaltou Thayná De La Rosa, do grupo Liberte-se. (V.O.)





