A coleta de lixo domiciliar tem passado por alguns problemas, com paralisações de funcionários e troca da empresa responsável pelo serviço
A coleta de lixo domiciliar tem passado por alguns problemas, com paralisações de funcionários e troca da empresa responsável pelo serviço | Foto: Saulo Ohara



Entre os muitos desafios que a nova gestão da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) assumiu ao tomar posse, em 1º de janeiro, a coleta de lixo é um dos principais deles. A cidade que já foi considerada modelo na coleta seletiva, nos últimos anos viu o serviço esmorecer e a coleta de lixo domiciliar tem passado por alguns problemas, com paralisações de funcionários e troca da empresa responsável pelo serviço. As coletas seletiva e domiciliar vêm sendo feitas sob contrato emergencial, mas o presidente da companhia, Moacir Sgarioni, garante que novos contratos serão firmados a tempo. Ele também planeja mudanças no setor, com aumento da fiscalização para inibir descartes irregulares e otimização na aplicação de recursos.

Nos últimos cinco meses, funcionários responsáveis pela coleta de lixo domiciliar suspenderam as atividades por pelo menos quatro vezes em protesto por melhores condições de trabalho. A última suspensão aconteceu no dia 19. Até dezembro, o serviço era feito pela Paviservice, de Curitiba, mas a empresa decidiu não prorrogar o contrato com a CMTU por discordar dos valores pagos pelo município e a Kurica Ambiental assumiu a coleta. O contrato emergencial é válido por 90 dias e vence no próximo mês de março.

Segundo Sgarioni, o edital de licitação para escolha da nova empresa responsável pela coleta domiciliar deve ser lançado nos próximos dias e ele acredita que até março o processo estará concluído, com a assinatura do contrato com validade de um ano. O presidente da CMTU disse não ter os detalhes do contrato, como o preço máximo estipulado para a realização do serviço. Atualmente, a Kurica recebe R$ 134,97 a cada tonelada de material recolhido e a média é de 400 toneladas por dia.

Sgarioni diz estar de olho nos grandes geradores, que por lei são obrigados a darem uma destinação correta aos resíduos, mas que acabam colocando o lixo na rua para serem levados pelo serviço de coleta domiciliar. "Isso onera o sistema de coleta de lixo da prefeitura. É preciso uma campanha de educação para convencer os grandes geradores a darem a destinação correta."

Outra frente a ser atacada, afirma o presidente da CMTU, são os pontos irregulares de descarte. "Eu imaginava que seriam cerca de 100 pontos, mas a própria imprensa divulga que são de 250 a 300 pontos. Nos últimos 15 dias de dezembro eu percorri a cidade praticamente toda e fiquei decepcionado de ver o nível de educação da população a respeito do lixo. Fiquei cinco minutos no lixão e entrou caminhonete com móveis velhos, caminhonete de depósito de construção com rejeito. Só em um lixo deve ter uns 300 caminhões para retirar. Tem que fazer uma campanha de publicidade para divulgar e tentar diminuir esse tipo de agressão à natureza", comentou.

A Prefeitura de Londrina mantém dois pontos de entrega voluntária (PEV), um no Jardim Nova Conquista (zona sul) e outro no Residencial Vista Bela (zona norte). Nesses locais cada cidadão pode descartar até 1 metro cúbico de resíduos sólidos, como entulho, madeira e restos de podas de árvores. Sgarioni planeja construir novos PEVs com recursos que viriam de um convênio com o Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma). Segundo ele, haveria R$ 136 mil disponíveis e a instalação de cada ponto custa cerca de R$ 40 mil. "Temos que ampliar os PEVs porque hoje as pessoas estão jogando lixo onde acham que pode. Mas tem toda a questão da legalidade, da licença ambiental para instalar os pontos." No ano passado, a CMTU transportou um volume equivalente a 7.331 caminhões com resíduos. Desse total, apenas 2.023 caminhões saíram dos PEVs, o restante estava em depósitos irregulares. (Leia mais na pág. 2)

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