Londrina - Na adolescência, tudo que é proibido ou perigoso parece mais atraente. Alheios aos riscos à própria vida, adolescentes brincam com a morte desafiando a vida em práticas arriscadas só para demonstrar coragem aos colegas de turma. Em Londrina, por exemplo, surfe em trem, ‘rabeira’ em ônibus e mergulhos no lagos urbanos já produziram tragédias em muitas famílias mas, ainda assim, continuam sendo repetidas todos os dias.
Na semana passada, a FOLHA flagrou jovens surfando sobre vagões de um trem no Jardim Tropical (Zona Norte). Os garotos aproveitaram a baixa velocidade da composição e começaram a se exibir sem pensar nas conseqüências. Um deles chegou ao limite de ficar em pé sobre o vagão, uma altura de mais de três metros. Nestas condições, um leve desequilíbrio pode ser uma sentença de morte.
Da linha férrea para o asfalto, jovens e até crianças aproveitam os ônibus coletivos para encurtar distâncias e descansar as pernas. Com ganchos de ferro, eles conectam suas bicicletas nas traseiras dos veículos e sobem e descem ladeiras. Em avenidas como Duque de Caxias, Winston Churchil, Saul Elkind, Higienópolis, Carlos João Strass, a qualquer hora do dia é possível flagrar meninos sendo "puxados" pelos ônibus em meio ao trânsito carregado.
Além destas duas arriscadas modalidades, há ainda uma terceira que até pode parecer mais inofensiva, mas que produz desfechos trágicos em quase todos os verões: os mergulhos nos lagos urbanos da cidade -Igapó, Cabrinha e Norte. Nos dias mais quentes, garotos nadam sem se darem conta do perigo.
A responsável pelo Instituto ALL e por campanhas de prevenção e segurança, Carolina Goulart, informou que a empresa está reforçando as ações em escolas e em comunidades próximas à linha férrea no Norte do Paraná. A ALL também realizou campanhas em passagens de nível e trouxe o "Vagão do Conhecimento" há poucas semanas para a região. "Embora a empresa desenvolva ações preventivas não há como coibir totalmente estas práticas imprudentes", observou.
O diretor de operações da Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL), Daniel Martins, reforçou que os ônibus param e aceleram a todo momento e o risco de queda é altíssimo. "Eles lidam com isso como se fosse uma aventura. Eu mesmo já vi até crianças pequenas, que nem sabiam andar de bicicleta, junto com outros maiores", comentou. Segundo Martins, os motoristas nem sempre vêem os caroneiros.
Acostumado a abordar quem se arrisca nadando nos lagos Igapó, o cabo Gilceno Guevara Lopes, da base dos Bombeiros na região, alertou que estes locais são perigosos porque o fundo é irregular e tem muito lodo - "que pode fazer a pessoa atolar" -, lixo e águas poluidas. Ele disse que os Bombeiros já estão realizando rondas para orientar os freqüentadores a não entrarem na água. "Mas não podemos manter equipes o dia todo porque são áreas impróprias para banho", concluiu.

mockup