Salvador Três irmãos morreram depois do desabamento de uma laje ontem no bairro de Cajazeiras, periferia de Salvador. O pai das crianças, Manuel Silva, estava iniciando a construção do terceiro pavimento do imóvel, mas a estrutura não suportou o peso da laje e acabou cedendo. A polícia baiana abriu inquérito para apurar as causas do acidente e descobriu, inicialmente, que Silva vinha sendo alertado em relação aos riscos de desabamento, por colocar nas vigas um peso superior ao que elas poderiam suportar. O dono do imóvel teria ignorado os avisos de amigos e vizinhos mais habituados a este tipo de construção, que requer um escoramento adequado.
Os gritos de socorro e o barulho provocado pelo desabamento chamaram a atenção dos vizinhos que tentaram em vão salvar as três crianças que brincavam no andar térreo. Luís Eduardo, 6 anos, morreu no Hospital Eládio Lasserre. Manoelina Silva, de 7 anos, morreu logo após dar entrada no Posto Médico do bairro, enquanto Vitória, de 4 anos, também não resistiu, depois de ser levada às pressas para o Hospital Jaar Andrade. O dono do imóvel, Manuel, também ficou ferido, junto com a mulher Joelma Gonzaga, e a filha caçula, Bruna Silva, de 2 anos, mas conseguiram se salvar, depois de receberem atendimento médico no Hospital Geral do Estado.
Os soldados do Corpo de Bombeiros tiveram dificuldades para prestar socorro porque o local onde a casa vinha sendo construída é de difícil acesso. O menino Luis foi o primeiro a ser retirado dos escombros, e apesar do esforço dos bombeiros, chegou sem vida ao Hospital. Depois de Joelma e Bruna serem salvas, os soldados resgataram Vitória, que morreu ao receber os primeiros socorros no hospital. Manoelina chegou a receber oxigênio, mas não resistiu.
Em Salvador, é comum as pessoas construírem imóveis em ocupações e encostas sem qualquer orientação técnica de um engenheiro responsável. Os fiscais do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) e da prefeitura não conseguem dar conta do volume de obras irregulares. Os moradores erguem as moradias por conta própria, muitas vezes sem a participação sequer de um pedreiro ou mestre-de-obra. Não há qualquer tipo de cálculo estrutural para garantir a viabilidade do empreendimento. Geralmente, os donos destes imóveis não se contentam em erguer casas com andar térreo e erguem mais de um pavimento como forma de ampliar o patrimônio.
O ato de ''bater laje'', como dizem os habitantes da periferia, costuma reunir amigos e parentes do dono do imóvel, em animados eventos sociais, aos domingos, regados em grande parte das vezes a feijoada e bebidas alcoólicas, ao som de pagode e músicas regionais.

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