São Paulo - Garçons e barmens que trabalham na noite também exercem involuntariamente uma segunda profissão - a de ''psicólogos''. As histórias de amor são as mais comuns - principalmente aquelas relatadas pelo tipo dor de corno, que exagera na bebida para esquecer que foi deixado ou traído pela mulher.
''Tive um cliente que tinha sido traído. Ele bebeu oito caipirinhas, pulou para dentro do bar e começou a gritar o nome da mulher. Estava desesperado. Tentei acalmá-lo, dar uma palavra amiga'', conta o maitre Antonio Vitorino Filho.
Aos 50 anos - 25 de profissão, Vitorino disse já ter visto e ouvido de tudo. E é a experiência que o ajuda a dividir os clientes em tipos e a saber lidar com eles. Para o ''mala'', que fala pelos cotovelos e inventa que tem muito dinheiro e ainda pede desconto, a solução é alertar os outros para não serem fisgados - e manter distância.
Por outro lado, Vitorino diz gostar de dar muita atenção e ouvir o cliente divertido, que costuma ser mais legal bêbado do que sóbrio. ''Ele não se lamenta, quer atenção para suas histórias.'' Depois da sessão informal, o ''paciente'' acaba beijando os funcionários do bar - é o tipo ''beijão''.

O popular
Garçons simpáticos, tidos como mais ''acessíveis'', acabam dando mais abertura para que os clientes desabafem. É o caso de Ailton Manuel da Silva, 40 anos, do tipo que todos cumprimentam ao entrar no bar: ''E aí, Ailtinho...''. Ele lamenta, contudo, que alguns clientes reclamem de tudo, como se apenas eles tivessem problemas. Ailton, assim como Vitorino, afirma que dá atenção a todos porque se apega a eles. (Márcio Pinho/Folhapress)

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