Derrocamento já permite a navegação
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terça-feira, 05 de novembro de 1996
Paulo Pegoraro 
O Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER) da Secretaria dos Transportes concluiu o derrocamento no Rio Paraná, próximo à ponte que está sendo construída entre Guaíra (PR) e Mundo Novo (MS). O trabalho respeitou o prazo estabelecido para que as explosões, à base de dinamite, não atingissem a fauna aquática na fase da piracema (deslocamento dos peixes para procriação), iniciada oficialmente no dia 1º. Agora está sendo iniciado o trabalho de limpeza na faixa do derrocamento.
A retirada das rochas garante a abertura de um canal de navegação sob a ponte, permitindo a passagem de embarcações de calado profundo em condições de transportar grandes volumes de cargas, principalmente no escoamento de safras agrícolas. O canal permitirá a navegação ao longo de todo o Rio Paraná, a partir do Lago de Itaipu, na região da usina de Itaipu.
Para a integração ao sistema de transporte hidroviário de São Paulo com o Rio Tietê, resta a complementação de obras de uma eclusa (abertura) na barragem de Jupiá, o que permitirá atravessar aquele estado de Oeste a Leste, em direção ao Porto de Santos. Com isso, a região de Guaíra ganha maior importância no sistema intermodal de transporte, representado pela hidrovia e pela ponte.
As obras da ponte, iniciadas há dez anos pelo governo federal e assumidas em 96 pelo governo do Paraná, estarão concluídas em 97, facilitando a ligação do Centro-Oeste brasileiro com o Paraná e o Porto de Paranaguá. A ponte terá custo final de R$ 24 milhões e extensão de 3.592 metros - a maior entre as fluviais em todo o País. Atualmente, a travessia é feita por balsas, morosas e que encarecem o custo do transporte.
O derrocamento iniciado em agosto foi realizado em uma faixa de 1,4 mil metros por 80 metros de largura, entre a ponte e a região onde estão submersas as Sete Quedas (desde 82, na formação da barragem de Itaipu). Foram retiradas formações rochosas que estavam mais próximas da superfície, na direção do canal que será mantido sob a ponte, para que passem as embarcações que atualmente navegam por um trecho onde a passagem ficará impedida por pilares da obra.
O fim das explosões era exigido pelos pescadores da região de Guaíra, que temiam grande afetamento à fauna. A Colônia de Pescadores Z-13, chegou a pedir embargo ao derrocamento, na Justiça local. Pescadores de cascudos, espécie que têm hábitat exatamente entre formações rochosa da faixa do derrocamento, receberam em agosto R$ 788 mil do DER como idenização pelo período em que não poderão atuar, mas o rateio contemplou apena parte dos 190 cascudeiros.
Por isso, a Colônia Z-13 iniciou mobilização ontem para tentar a extensão do pagamento a mais pescadores. Eles ameaçam inclusive acampar em frente ao prédio da Secretaria dos Transportes, em Curitiba, caso não sejam contemplados. Além disto, há preocupação da Colônia de que os cascudos não sejam na mesma quantidade de antes das explosões. A partir de agosto, e por um ano, a pesca ficará interditada no local para que haja recomposição da fauna e sejam feitos estudos para verificar se o repovoamento será completo.


