Derrame cerebral afeta cada vez mais jovens
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domingo, 15 de janeiro de 2006
Folhapress 
São Paulo- Reconhecido por atingir pessoas mais velhas, especialmente depois dos 60 anos, o AVC (acidente vascular cerebral), popularmente conhecido como derrame, está afetando cada vez mais pessoas jovens, com menos de 30 anos.
Levantamento feito no Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná com pessoas jovens vítimas de derrame associa os casos de AVC às mudanças de hábitos da última década.
Segundo a neurologista Viviane Flumignan Zétola, coordenadora do estudo no Paraná, a hipertensão arterial, o aumento do colesterol, diabetes, excesso de peso, sedentarismo, tabagismo e até mesmo o uso de drogas são os principais fatores de risco identificados nos pacientes estudados.
''A hipertensão arterial e o tabagismo foram os fatores mais prevalentes. Mas, não podemos deixar de citar que houve uma piora significativa na qualidade de vida. O estresse acumulado e o colesterol elevado também foram fatores importantes que percebemos nesses jovens'', disse Viviane.
A neurologista também estudou o impacto de um derrame na vida de um jovem que ainda está em plena atividade social-econômica. ''Além de muitos terem de parar de trabalhar porque ficam incapacitados, alguém da família também para de trabalhar para cuidar dessa pessoa. O conflito familiar é muito grande.''
A mesma opinião compartilha o neurorradiologista José Maria Modenesi Freitas, do Hospital Santa Rita. ''O número de casos de derrame em jovens está cada vez mais frequente nos hospitais. E essa é uma situação irrecuperável para toda a família.''
O derrame é a primeira causa de incapacidade do mundo e está entre as três primeiras causas de morte. ''Sempre há sequela, por menor que ela seja porque há morte do tecido cerebral. Geralmente há um comprometimento da visão, da fala, episódios de esquecimento e paralisação de partes do corpo'', explicou Mirto Nelso Prandini, neurocirurgião da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Há dois tipos de derrame cerebral: o isquêmico -que acontece quando há o entupimento de uma artéria, impedindo que o sangue chegue até o cérebro- e o hemorrágico -provocado pelo rompimento de uma artéria cerebral, causando sangramento excessivo.
Proporcionalmente, o derrame isquêmico é mais comum (70% dos casos, em média) e menos grave que o hemorrágico.


