Derosso suspende votações na Câmara
As votações na Câmara Municipal de Curitiba estão suspensas desde ontem, por determinação do presidente João Cláudio Derosso (PFL). A liminar concedida pelo juiz Nilson Mizuta, da 4ª Vara da Fazenda Pública, impedindo a eleição da mesa executiva na terça-feira, abriu uma polêmica entre os vereadores. Eles não sabem se os quatro vereadores eleitos deputado em 5 de outubro - Gustavo Fruet (PMDB), Íris Simões (PTB), Pastor Oliveira Filho (PFL) e Renato Gaúcho (PSDB) - podem participar das votações, sem dar margem para eventuais pedidos de anulação.
É um absurdo, mas essa decisão deixa tudo em suspense, reclamou Derosso. Ele disse que o departamento jurídico da Câmara faz uma análise sobre o caso. Um recurso judicial pedindo esclarecimentos ao juiz Nilson Mizuta sobre o teor de sua sentença não estava descartado ontem. Já o pedido de cassação da liminar sequer havia sido julgamento pelo presidente do Tribunal de Justiça, Henrique Lenz César. Ele enviou a matéria à Procuradoria Geral de Justiça, para parecer.
O procurador geral Gilberto Giacóia tem cinco dias para se manifestar. O recurso interposto por Derosso para retomar o processo eleitoral deve se arrastar até a semana que vem. O desembargador Henrique Lenz César viaja na sexta-feira para o Japão, a convite da Câmara de Comércio Brasil-Japão de Londrina. O desembargador fica no exterior durante 12 dias. O vice, Darci Nasser de Mello, fica com a responsabilidade de analisar os pedidos de revisão de sentença.
O clima entre Derosso e Ede Abib, que disputam a presidência da Câmara, continuava tenso. Abib passou a maior parte do dia na Assembléia, sob a proteção de Aníbal Khury. Derosso comandou a sessão que se resumiu a discursos. Ele voltou a criticar Abib, que vem alvo de setores da Câmara que querem sua cassação por decoro parlamentar. Alguns vereadores entendem que Abib induziu o juiz da 4ª Vara da Fazenda a erro, quando forneceu cópia de um regimento interno defasado.
Abib se defende e diz que a mexida no regimento, ocorrida em 1994, tem valor apenas de uma resolução. Não podem cassar o meu direito de ser candidato, protestou ele. Sou contra golpismo. Antecipar a eleição, me tirando o direito de concorrer é um absurdo, emendou Abib.





