Motoristas e pedestres que transitam pela PR-445, na área próxima ao Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), na Zona Sul de Londrina, vão continuar a enfrentar riscos de acidentes e atropelamentos por tempo indeterminado. Um reunião interna entre técnicos e a superintendência do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) para avaliar as condições de segurança da área, realizada ontem, não definiu prazos para soluções.
A discussão sobre a segurança no KM 70 da rodovia, endereço do Iapar, foi revista após a morte, na quarta-feira, do pesquisador Antônio Yoshio Kishino, 54 anos. Kishiro, que trabalhava no Iapar há 30 anos, cruzou a rodovia com seu carro quando um outro veículo o atingiu. O pesquisador teve morte instantânea. Este caso engrossou as estatísticas fornecidas pela Polícia Rodoviária Estadual: desde 2001 foram registrados 34 acidentes no local, com 22 feridos e cinco mortes, duas delas somente nos quatro primeiros meses de 2004.
Segundo o presidente da Associação de Funcionários do Iapar (AFI), Pedro Mário de Araújo, a direção do instituto tenta negociar modificações no trevo, desde o ano passado, junto ao DER e ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) responsável pelas vias marginais da rodovia. ''O acidente com o Yoshio só reavivou um problema antigo. Outros pesquisadores já sofreram acidentes, além de pedestres que foram atropelados e os estagiários que são obrigados a cruzar a rodovia, pois o ponto de ônibus fica do outro lado'', explicou Araújo.
Entre as propostas já discutidas pelo instituto estariam o fechamento do trevo de acesso e a instalação, em caráter emergencial, de lombadas na rodovia. ''Mas não acredito que o fechamento do acesso ajude. Acho que só vai transferir o problema para os outros trevos próximos (com as avenidas Harry Prochet e 10 de Dezembro). As lombadas pelo menos amenizariam o problema, já que o ponto é de alta velocidade, por se encontrar numa baixada'', apontou Araújo.
O superintendente do DER de Londrina, Wilson Bazzo, reconhece que a situação ''é crítica''. ''Estamos iniciando os estudos para avaliar o que pode ser feito'', disse. A instalação imediata de lombadas foi descartada pelo superintendente. ''O fluxo de veículos é muito grande e poderia criar problemas de tráfego''. Segundo ele, isso poderia até dificultar a travessia da rodovia. ''Com o trânsito mais lento, a espera seria maior'', disse. Ele explicou que não há previsão para a tomada de soluções concretas quanto à segurança da área.
A direção do Ippul não foi localizada pela reportagem da Folha para se pronunciar sobre o assunto. Segundo o presidente da AFI, os funcionários do Iapar estudam a possibilidade de uma manifestação para cobrar mais segurança no local. ''Adiamos as comemorações do Dia do Trabalho em respeito à morte de um colega. Mas poderemos fazer algum tipo de protesto no dia 15 de maio'', avisou Araújo.

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