DER faz 50 anos com um novo desafio
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terça-feira, 17 de dezembro de 1996
Ivan Santos<br> Da Sucursal 
O DER comemora esta semana seus 50 anos de história enfrentando o desafio de assumir um novo papel - deixar de ser construtor de estradas para passar a administrá-las. Com a privatização dos dois mil quilômetros de rodovias federais e estaduais que formarão o anel de integração do Estado, e a terceirização da manutenção de outras estradas sob responsabilidade do órgão, o DER deixa para trás uma época heróica em que funcionou como desbravador de caminhos.
É uma mudança tão radical quanto a passagem da galhota (carroça puxada por burros) para o trator, diz o secretário dos Transportes, Deni Schwartz, lembrando da tração animal usada nos anos 40 para transportar material de pavimentação. O DER deixa de ser fazedor para passar a gestor, confirma o diretor geral do órgão, Luiz Alberto Kuster. Para ele, a privatização das estradas é irreversível. O Estado perdeu a capacidade de investimento em infra-estrutura, afirma, lembrando que só para manter as estradas, o órgão precisaria de R$ 40 milhões por ano.
A mudança de modelo mexe com uma cultura institucional sedimentada durante as décadas de 60 e 70, quando o Estado brasileiro era o grande financiador do desenvolvimento econômico no País. Chegamos a discutir se o DER já não tinha cumprido sua função e não deveria ser extinto, confessa Kuster. Segundo ele, essa possibilidade não existe porque muito ainda precisa ser feito no setor de transportes. O Brasil, com as mesmas dimensões dos Estados Unidos, tem uma malha viária 40 vezes menor.
Além disso, o DER terá que fiscalizar o cumprimento dos contratos de concessão de rodovias. A figura do engenheiro rodoviarista está em extinção, sendo substituída pela do gestor de contratos públicos, diz ele. Para isso, o órgão pretende promover uma reformulação administrativa, com informatização e reciclagem de pessoal. Kuster garante que não haverá necessidade de demissões. Com as aposentadorias, o quadro de pessoal deve cair de quatro mil para mil funcionários, em cinco anos, admite.


