O Departamento de Estradas e Rodagens (DER) vem efetuando estudos técnicos em 30 trechos com alto índice de acidentes por causa do excesso de velocidade, na região da 2 Companhia de Polícia Rodoviária do Paraná, no Norte do Estado. Segundo informações do DER, em um primeiro momento, estão sendo avaliados dois pontos por cada um dos 64 postos rodoviários existentes no Estado. A 2 Companhia engloba 15 postos.
Esses estudos visam cumprir a resolução 214 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), de novembro do ano passado, que determinou a identificação por placas dos radares fixados nas rodovias. O tenente Pedro Ramos, comandante do 1º Pelotão da Polícia Rodoviária, explica que essa resolução prevê ainda que, a partir de 11 de novembro deste ano, a Polícia Rodoviária só vai poder realizar operações de radares móveis em trechos que já tenham uma avaliação técnica do DER e estejam devidamente sinalizados, com placas indicando que essas áreas estão sujeitas a radares, além da velocidade máxima permitida para o local.
''O inconveniente é que as operações para atender demandas imediatas serão dificultadas. Hoje, se nós identificamos um alto índice de acidentes em um local, podemos fazer a fiscalização. A partir de novembro, só poderemos fazer isso se o trecho tiver um estudo prévio e as devidas sinalizações'', exemplifica.
Se cada um dos pontos avaliados compreender 5 km de sinalização, tornando-se, assim, o trecho sujeito a radar, a 2 Companhia vai poder utilizar, em um primeiro momento, o radar móvel em 150 km de estradas - do total de 3.500 cobertos pela Companhia. Questionado se isso pode levar o motorista a correr à vontade nos trechos em que não há uma sinalização, já que, sem as placas, ele não poderia ser multado, o tenente assentiu. ''Isso pode criar a sensação no motorista de que, se ele não vê a placa, não pode ser multado'', reconhece.
Ele lembra, porém, que a medida pode ajudar a identificar novos pontos onde os radares fixos podem surtir efeito. ''Se os índices permanecerem mesmo após a operação, pode-se realizar um estudo técnico apontando a necessidade de um radar fixo'', apontou, acrescentando que o radar entre Londrina e Ibiporã foi instalado mais ou menos nessas circunstâncias. Segundo Ramos, hoje, 90% dos acidentes são causados por excesso de velocidade ou ultrapassagem em faixa contínua, e o índice de vítimas fatais vem aumentando em relação ao ano passado.
Para o engenheiro Wilson Luiz Bazzo, superintendente do DER em Londrina, o motorista precisa ter consciência de que precisa respeitar a lei. ''O motorista tem que saber que, se exceder a velocidade, pode ser multado em qualquer momento.'', afirmou, lembrando que o motorista pode ser multado não só pelo excesso de velocidade, mas também por outras infrações. ''Nosso objetivo é elucidar esses pontos críticos, onde há um maior número de acidentes, para respaldar a cobrança da multa. O que não pode é usar o radar como armadilha'', ressalta.

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