O Ministério Público (MP) deu prazo de dez dias para o Departamento de Estradas e Rodagem do Paraná (DER) encaminhar por escrito os problemas apresentados na obra de construção do viaduto da PR-445 com a Avenida Dez de Dezembro, na zona sul da cidade. A obra faz parte da duplicação da rodovia. O superintendente do DER em Londrina, José Ferreira Heidegger, assinou uma recomendação administrativa de responsabilidade para fiscalização da solidez e segurança da obra.
Os muros de contenção estão com rachaduras, o que vem colocando em dúvida a segurança e qualidade da obra. O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Renato de Lima Castro, notificou o DER a dar explicações sobre o assunto. Na reunião com o MP, realizada ontem à tarde, além do superintendente do DER, também participaram os vereadores Lenir de Assis (PT) e Roberto Fu (PDT) e o diretor do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), Paulo Guilherme Ribeiro.
O superintendente admitiu que existe falta na execução do projeto da construção do viaduto. "Tem problema executivo na obra e a empresa responsável está tomando as medidas para resolver o problema", afirmou Heidegger. Serão colocadas 56 estacas raiz, um tipo de viga recheada com concreto armado, que darão sustentação aos muros e as rachaduras serão preenchidas com peças de um produto à base de neoprene.
De acordo com Heidegger, as rachaduras não representam risco estrutural e elas ocorreram porque houve acomodação do solo. Os trabalhos para colocação das 56 estacas, 28 em cada lado do viaduto, devem durar em torno de 60 dias e o superintendente do DER garante que isso não deve atrasar a conclusão da obra, apesar de não dar um prazo para a sua finalização. "O viaduto será entregue junto com os outros dois (nas avenidas Harry Prochet e Waldemar Spranger)", disse Heidegger.
Para o promotor Renato de Lima Castro, o DER precisava prestar as informações à população sobre a situação da obra e cobrar uma solução da empresa responsável pela execução. "Ele (José Ferreira Heidegger) disse que todos os custos dessa execução serão arcados pela empresa, sem danos ao erário. O MP vai continuar acompanhando o trabalho de fiscalização do DER", comentou o promotor. Caso o órgão estadual não faça a fiscalização e acompanhamento da obra, o superintendente regional pode ser responsabilizado por omissão.
O diretor do Senge, Paulo Guilherme Ribeiro, que acompanha de perto a construção do viaduto desde o início da obra, afirmou que existem dois fatores que provocaram as rachaduras: recalque com infiltração de água e erro de compactação do solo. Ele disse que tecnicamente as estacas podem resolver o problema, mas existe a preocupação de que a rampa de acesso ao viaduto fique muito íngreme, com o adensamento da pista de rolamento. A largura da rampa de acesso é maior do que o viaduto e isso pode permitir que continue infiltrando água. "A preocupação é com a viabilidade técnica do viaduto, que pode ficar comprometida", comentou Ribeiro.
Os vereadores consideraram a reunião positiva. "Recebemos as informações que já tínhamos pedido ao DER e eles disseram que sabiam dos problemas, o que para nós é grave", disse a vereadora Lenir de Assis (PT).
A construção do viaduto também preocupa os moradores da região. "Eu não tenho coragem de passar nem por baixo, nem por cima desse viaduto. Tenho medo por causa dessas rachaduras", contou a dona de casa Lacir Ferreira da Silva, de 73 anos, que mora perto do viaduto. Ela também reclama que é difícil atravessar a marginal.

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