A Câmara dos Deputados criou uma Comissão Externa para investigar os casos de maus-tratos a brasileiros que moram no Paraguai. Cerca de 250 brasiguaios vivem em Alto Paraná, na região de fronteira. A maioria trabalha na agricultura.
Segundo a deputada Sandra Starling (PT-MG), a comissão quer investigar casos de tortura nas comissarias (delegacias de polícia), a discriminação a brasileiros que residem no país vizinho, denúncias de que garotas menores de idade estão vivendo em regime de escravidão e obrigadas a se prostituir e a demora nas sentenças de brasileiros presos.
O caso mais grave de tortura e discriminação foi registrado pelo Consulado Brasileiro em Ciudad del Este, onde o comissário de Santa Rita (cerca de 110 quilômteros de Foz do Iguaçu), Gilberto Viveiros, é acusado de cometer atrocidades.
Ao cônsul brasileiro adjunto, Djalma Mariano da Silva, o comissário disse que ‘‘brasileiros brancos e ricos eram bem-vindos, porém, os pobres e negros causam problemas e é melhor que fiquem distantes’’.
Em 96, uma comissão de deputados esteve na região. O presidente desta comissão, deputado padre Roque (PTR-PR), admitiu que pouca coisa poderia ser feita porque se tratava de território estrangeiro.
Mesmo assim, os deputados conseguiram a nomeção do embaixador Ernesto Carvalho para o cargo de cônsul-geral de Ciudad del Este. Antes, havia apenas um cônsul-adjunto. Pressionado pelos deputados e cônsul, o Itamaraty ampliou a verba de defesa de brasiguaios presos, que hoje chega a R$ 80 mil, e fez parcerias com o Centro de Direitos Humanos e Ordem dos Advogados do Brasil em Foz do Iguaçu.

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