Parlamentares das CPIs nacional e estadual do Narcotráfico e do Crime Organizado criticaram o levantamento apresentado pelo governo paranaense. ‘‘Estranho muito essa história e tenho sérias restrições a esse levantamento’’, afirmou o deputado federal paranaense Padre Roque Zimmermann (PT), integrante da comissão nacional.
Segundo ele, o número de 25 testemunhas supostamente mortas por queima de arquivo foi divulgado à imprensa pelo próprio procurador da PIC, Dartagnan Abilhôa, que agora voltou atrás e desmentiu essas informações no ofício à secretaria. Procurado pela Folha, Abilhôa não foi localizado ontem à tarde na PIC. Seu celular estava desligado.
‘‘Suspeito da atuação de todo o aparelho de segurança pública do Paraná, que está eivado de velhos problemas’’, afirmou Padre Roque. O ex-secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, e vários delegados foram denunciados à CPI por supostas ligações com o crime organizado.
O deputado Ricardo Chab (PTB), relator da CPI estadual, disse ter convicção de que pelo menos ‘‘oito ou dez casos’’ tenham relação com a queima de arquivo. ‘‘Os mortos tinham tiros na cabeça, as mãos amarradas e suas digitais foram arrancadas. Além disso, muitos pais confirmaram o envolvimento de policiais na morte dos filhos’’, afirmou Chab.
Padre Roque confirmou a vinda a Curitiba de membros da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, da qual ele é integrante, para apurar a suposta morte de testemunhas. A data será definida na próxima semana.

mockup